Lembro como foi a primeira vez. Fiquei ofegante quando a vi. Sua áurea emanava um mistério e glamour indescrítiveis. Em pouco tempo estaria ali e essa sensação era muito boa. A música ambiente era um tema famoso da bossa nova. Tudo isso aconteceu há quase 20 anos. E essas foram as sensações que tive quando vi a Recepção do Maksoud Plaza pela primeira vez, do mezzanino. Foi lá que comecei na hotelaria, como recepcionista junior.
O glamour era pleno. Nossos uniformes impecáveis. O meu jaquetão demorou para chegar. Eu já era fortinho e não tinham meu número. A solução foi colocar uns botões dourados a mais e mudar outros de lugar. Ficou engraçado e os hóspedes perguntavam se eu era o chefe da recepção, pois eu tinha mais botões que os outros. Eu respondia que sim (quando o chefe não estava). E me divertia. Trabalhávamos em 6 ou 7 recepcionistas, isso em cada turno. Sem contar os caixas, que trabalhavam em lugar separado e não podiam conversar (muito) conosco. Se não me engano, no total éramos 18, e para um hotel com cerca de 350 apartamentos, era uma maravilha. De segunda a quinta a ocupação era sempre acima dos 90%. O lobby vivia cheio. O bar vivia cheio. Os cinco ou seis restaurantes viviam cheios. O hotel parecia uma cidade.
Uma das primeiras observações que me fizeram quando comecei foi: preste muita atenção quando tocar o telefone. Se aparecer o número 2113 (ou uns dois outros que não me lembro mais) atenda logo porque é o dono do hotel que estará na outra linha. Opa, legal, quem sabe vou falar com o Henry Maksoud e poder parabenizá-lo pelo magnifíco hotel que ele havia erguido. No terceiro dia de trabalho, um sábado, tinham me largado sozinho na recepa. O telefone tocou, olhei pro painel vermelho onde apareciam os números e nada de número. Como tínhamos que atender o chamado até o terceiro toque, porque senão cortavam um de nossos dedos, peguei o fone e disse: recepção do Maksoud Plaza, Peter, boa tarde! Do outro lado uma voz taciturna perguntou: “Peter, o que está tocando no estação número 5 do rádio?”. Um momento senhor, foi minha resposta, e no instante que eu afastava o fone do meu ouvido para olhar na tabela de estações de rádio, escutei a voz chamando… “Peter?” Prontamente respondi com a expressão que não podia ter dito: Oi? Do outro lado escutei aos quase berros ao mesmo tempo que eu olhava pro bina, putaquepariu é ele! pensei (bem baixinho). A seqüencia foi pior. Ele me perguntou: “como você tem a coragem de falar oi? Quando teu pai te chama você responde oi? Sim, eu respondo, senhor!, eu respondi. “Quem está de supervisor na recepção?” O Marcelo Pretti, senhor! “E no hotel?” O senhor Benjamin, senhor! “Avise-os para subirem para minha suíte imediatamente!” Sim, senhor! Avisei os dois que subiram e desceram meia hora depois com cara de vaselina. Quando a Vera Campacci, a gerente da Recepção, ficou sabendo da história na segunda-feira… “Ai meu Deus, ainda bem que eu não estava aqui!”
Sete meses depois saí do Maksoud Plaza. Não concordei com a suspensão que o Roberto Maksoud, gerente geral na época, me aplicou sem ao menos escutar a minha versão. Ainda me lembro do Daniel Malevergne (gerente de Operações) tentando me convencer a ficar: No, Piterrr, pense bem, você deve ficarrrr, isso passa…. Hoje, o Marcelo Pretti é gerente geral na Blue Tree e um dos meus melhores amigos. Na semana passada sua esposa deu a luz ao segundo filho deles, o Francisco. O Daniel, depois de passar magnificamente por vários cinco estrelas paulistanos está de volta ao Maksoud. E a Vera…? Chamei-a pelo nextel há cinco minutos e ela me respondeu: já te chamo! Estou falando com Nova York!






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