Arquivo de Fevereiro, 2008

A primeira vez a gente não esquece

Lembro como foi a primeira vez. Fiquei ofegante quando a vi. Sua áurea emanava um mistério e glamour indescrítiveis. Em pouco tempo estaria ali e essa sensação era muito boa. A música ambiente era um tema famoso da bossa nova. Tudo isso aconteceu há quase 20 anos. E essas foram as sensações que tive quando vi a Recepção do Maksoud Plaza pela primeira vez, do mezzanino. Foi lá que comecei na hotelaria, como recepcionista junior.

O glamour era pleno. Nossos uniformes impecáveis. O meu jaquetão demorou para chegar. Eu já era fortinho e não tinham meu número. A solução foi colocar uns botões dourados a mais e mudar outros de lugar. Ficou engraçado e os hóspedes perguntavam se eu era o chefe da recepção, pois eu tinha mais botões que os outros. Eu respondia que sim (quando o chefe não estava). E me divertia. Trabalhávamos em 6 ou 7 recepcionistas, isso em cada turno. Sem contar os caixas, que trabalhavam em lugar separado e não podiam conversar (muito) conosco. Se não me engano, no total éramos 18, e para um hotel com cerca de 350 apartamentos, era uma maravilha. De segunda a quinta a ocupação era sempre acima dos 90%. O lobby vivia cheio. O bar vivia cheio. Os cinco ou seis restaurantes viviam cheios. O hotel parecia uma cidade.

Uma das primeiras observações que me fizeram quando comecei foi: preste muita atenção quando tocar o telefone. Se aparecer o número 2113 (ou uns dois outros que não me lembro mais) atenda logo porque é o dono do hotel que estará na outra linha. Opa, legal, quem sabe vou falar com o Henry Maksoud e poder parabenizá-lo pelo magnifíco hotel que ele havia erguido. No terceiro dia de trabalho, um sábado, tinham me largado sozinho na recepa. O telefone tocou, olhei pro painel vermelho onde apareciam os números e nada de número. Como tínhamos que atender o chamado até o terceiro toque, porque senão cortavam um de nossos dedos, peguei o fone e disse: recepção do Maksoud Plaza, Peter, boa tarde! Do outro lado uma voz taciturna perguntou: “Peter, o que está tocando no estação número 5 do rádio?”. Um momento senhor, foi minha resposta, e no instante que eu afastava o fone do meu ouvido para olhar na tabela de estações de rádio, escutei a voz chamando… “Peter?” Prontamente respondi com a expressão que não podia ter dito: Oi? Do outro lado escutei aos quase berros ao mesmo tempo que eu olhava pro bina, putaquepariu é ele! pensei (bem baixinho). A seqüencia foi pior. Ele me perguntou: “como você tem a coragem de falar oi? Quando teu pai te chama você responde oi? Sim, eu respondo, senhor!, eu respondi. “Quem está de supervisor na recepção?” O Marcelo Pretti, senhor! “E no hotel?” O senhor Benjamin, senhor! “Avise-os para subirem para minha suíte imediatamente!” Sim, senhor! Avisei os dois que subiram e desceram meia hora depois com cara de vaselina. Quando a Vera Campacci, a gerente da Recepção, ficou sabendo da história na segunda-feira… “Ai meu Deus, ainda bem que eu não estava aqui!”

Sete meses depois saí do Maksoud Plaza. Não concordei com a suspensão que o Roberto Maksoud, gerente geral na época, me aplicou sem ao menos escutar a minha versão. Ainda me lembro do Daniel Malevergne (gerente de Operações) tentando me convencer a ficar: No, Piterrr, pense bem, você deve ficarrrr, isso passa…. Hoje, o Marcelo Pretti é gerente geral na Blue Tree e um dos meus melhores amigos. Na semana passada sua esposa deu a luz ao segundo filho deles, o Francisco. O Daniel, depois de passar magnificamente por vários cinco estrelas paulistanos está de volta ao Maksoud. E a Vera…? Chamei-a pelo nextel há cinco minutos e ela me respondeu: já te chamo! Estou falando com Nova York!

O turista estrangeiro busca a essência do destino

Uma vez conversei com um turista holandês nos Lençóis Maranhenses. Estávamos viajando pelo rio Preguiças e paramos em Caburé, um ex-vilarejo de pescadores que atualmente possui meia-dúzia de pousadas e é muito procurado por turistas europeus – para ver a reportagem feita na ocasião, clique aqui.

Durante o almoço, perguntei o que ele mais gostava do Brasil. Viajante assíduo em nosso país, ele me respondeu: “gosto de ver e ficar em lugares que estão intocados. Onde o ser humano vive em condições reais e onde nada foi preparado para ficar bonitinho. E isso o Brasil tem de montão. Lugares fantásticos, que pretendo conhecer antes que mudem de aspecto”.

Os empresários do setor e as autoridades governamentais podem pesquisar e “preparar” os destinos de acordo com os desejos dos turistas. O país é grande o suficiente para satisfazer todos os gostos. Nossa vez chegará. O turismo brasileiro será conhecido pelos períodos AC e DC – antes e depois da Copa de 2014. Viva!

Hotel: centro do bem-estar

Muito bom saber (e pensar) que os hotéis são verdadeiros centros de bem-estar. A busca por hospedagem, alimentação, saúde (spas), reuniões que visam sempre a evolução dos negócios e do aprimoramento da sociedade. Poder representar a arte do bem-receber, da cordialidade e simpatia.  Que outro “negócio” participa dessa filosofia? Parques de diversões, restaurantes de rua, cinemas, enfim tudo o que é ligado ao entretenimento de alguma forma.

Quando gerenciei meu primeiro hotel – lembro bem quando meu diretor Tomas Bravo me disse quando fui de vez para o empreendimento do Itaim: agora o hotel é seu. Trate-o como fosse seu. Assim que inauguramos, visionei que a unidade hoteleira poderia ser o centro da comunidade vizinha. Não do bairro todo, mas do quadrilátero próximo, que pudesse reunir 100 cidadãos. Abrir a casa para fazer reuniões que visassem o aprimoramento, um lugar onde pudessemos falar e discutir temas ligados ao nosso entorno. Reunir a terceira idade para fazer tricô para instituições assistenciais, reunir crianças e simplemente brincar com elas, organizar exposições, e tudo mais que pudesse ser feito em prol da sociedade e de sua cultura. Algumas idéias foram concretizadas outras não. Projetos são assim. Quando temos as idéias precisamos ter o dom organizacional de levá-las adiante. Mas, que os hotéis são representantes em potencial de suas comunidades, isso são! Boa semana para todos!

Vender sempre. Atender, jamais?!

Os turistas que visitam os destinos também são compradores em potencial. Alertá-los que existem lojas que agem com descaso e má fé é nosso dever.

Existem empresas que se preocupam em vender muito bem. Investem em publicidade anunciando cadeiras giratórias. A loja em questão fez campanhas duradouras na revista Veja em São Paulo e em alguns jornais. Uma dessas lojas, e eu vou citar o nome – Casa da Prateleira – comercializou muitas dessas cadeiras no segundo semestre de 2006. Aquele que vos escreve foi um dos que adquiriu uma delas. E o que me fez comprar foi o nome da loja, que me pareceu séria e que está no ramo há um bom tempo.

Fui informado que a mercadoria era importada da China e que assim que ela chegasse me avisariam para ir retirá-la na loja. A montagem deveria ser por minha conta. OK. Dentro do prazo, me ligaram e fui retirar o produto. Montei a minha nova cadeira e começei a usá-la feliz da vida. Passados exatos 46 dias o braço esquerdo quebrou – o braço, nesse caso, é a peça que une o assento ao encosto. Levei a cadeira até a loja e informei do problema. A gerente Daniele fez pouco caso e só me atendeu depois que informei que havia comprado a cadeira havia menos de dois meses. Pedi para que trocassem a cadeira por outra com braços de ferro – eu pagaria pela diferença. Não fui atendido. Alguns dias depois, fui retirar a cadeira com a peça trocada. Avisei que o problema iria se repetir. E foi o que aconteceu.

No começo deste mês de fevereiro de 2008, a mesma peça quebrou – e olha que nesse período emagreci mais de 10 quilos. Lá fui eu de novo. Qual foi minha surpresa quando a vendedora Angela me disse que a Casa da Prateleira – por que eu fui comprar uma cadeira numa casa de prateleiras, eu não sei! - não importava mais esse tipo de produto porque tiveram muitas reclamações. Anotou a minha e disse que eu deveria ligar para a gerente Daniele que agora atendia na loja do Morumbi. Bom, para resumir a história: eles não podem fazer nada. Acabei de desligar o telefone. Conversei com a Daniele, que me sugeriu fazer uma reclamação via site. Ainda existem empresas que trabalham com a filsofia ganha-perde. Eles ganham sempre, e nós, consumidores… Fui. Pro Procon. 

Restaurantes de hotéis. Um paradigma?

Tenho visitado vários hotéis. No ano passado, contabilizei mais de 80, o que dá uma média superior a um por semana. E em 98% dos casos, nas conversas com os gerentes gerais, um dos temas sempre abordado é o do restaurante. Como anda? Muitos passantes? As respostas sempre são mais desanimadoras do que positivas.

É claro, há cases de sucesso, como é o caso do Skye, do hotel Unique em São Paulo. Sob a batuta do chef Emmanuel Bassoleil, o ponto de venda está situado em local privilegiado: na cobertura e com vista para o skyline da avenida Paulista. Um outro restaurante é o do Cad’oro. Tradicional e bem frequentado. O Park Suites da Vila Olimpia tem um restaurante terceirizado e administrado pela rede Viena. Está sempre cheio.

Afinal, por que os restaurantes de hotéis, em sua grande maioria, não registram passantes e se restringem em atender apenas o café da manhã e o room service? Alguém arrisca uma resposta?

Recepção triunfal

Ontem fui visitar um amigo que trabalha num hotel na região da Paulista. Assim que pus o pé dentro do lobby, olhei em direção da recepção (o que faço sempre) e vi a recepcionista olhando e sorrindo para mim. A medida que ía me aproximando, seu sorriso contagiante aumentava. Quando parei em frente ao balcão, ela me disse um bom dia de verdade e perguntou como podia ajudar. Informei que estava lá para ver o senhor-fulano-de-tal. “Pois não”, ela respondeu, e sem nunca perder o sorriso telefonou, avisou a pessoa do outro lado da linha, desligou e me direcionou, sorrindo, para um assento. De lá, fiquei observando seu trabalho. Atendeu a todos com o mesmo sorriso e cordialidade. Fiquei feliz.

Outro dia fui visitar uma amiga que trabalha num hotel na mesma região da Paulista. Assim que adentrei no lobby, olhei para a recepção. Duas recepcionistas conversavam e uma outra atendia uma pessoa. Fui me aproximando e elas continuavam conversando. Cheguei perto do balcão e a mais bonita delas olhou pra mim com uma cara de por-que-está-atrapalhando-nossa-conversa e não disse nada. Vomitei um bom dia pra ela e perguntei pela minha amiga. Sem responder, ela pegou o telefone, discou, falou, desligou e me disse: “ela já vem”. Resolvi ficar ali mesmo no balcão esperando. Fiquei triste.

O Turismo e a classe média

A cultura do turismo no Brasil precisa mudar. Atualmente temos cerca de 180 milhões de habitantes e a classe média representa aproximadamente 20%, ou seja, 36 milhões de pessoas aptas a viajar pelo Brasil. É um número muito bom. Um pouco menos do que a Espanha recebe de turistas. Puxa, é um número muito bom mesmo. Mas, existe um fator que impossibilita que esse número realmente viaje pelo nosso querido país. Você poderia, caro leitor, me dizer o que desfavorece o crescimento do turismo doméstico? Se você pensou no sonho-mediocre-do-brasileiro-em-ter-sua-casa-de-praia-e-talvez-quem-saiba-uma-casa-de-campo-também, acertou. Várias vezes, durante o ano, milhões de cidadãos tupiniquins se dirigem para suas casas de praia para passar férias e/ou feriados. Será que vale a pena investir em uma casa de praia? Que tal fazermos uma conta simples?

Valor da casa = R$ 300 mil
Decoração = R$ 50 mil
Imposto anual = R$ 3 mil
Manutenção = R$ 5 mil
Despesas mensais = R$ 8 mil
Total = R$ 366 mil

Agora, investimos esse valor num fundo de renda fixa e teremos em 12 meses cerca de R$ 50 mil. Dividimos por 12 e teremos R$ 4 mil por mês para gastar. Vamos imaginar que iremos viajar duas vezes a cada quinze dias. Dois finais de semana por mês. Teremos R$ 2 mil para gastar por viagem. É muito ou pouco? Adicione a esse valor no mesmo período a quantia dos R$ 16 mil gastos com os impostos e manutenção. Dá mais uns mil reais por mês.

Será que alguém já fez esse cálculo antes de comprar sua casa de praia ou campo? Será que o status em ter esse bem é muito importante? Eu prefiro conhecer novos lugares e curtir uma boa mordomia. Boa viagem!

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(imagem: cronopios.com.br)

Evite conversar durante a escolha de alimentos

Sou chato nas questões que envolvem a higiene. Lavo as mãos constantemente, procuro colocar o lixo longe (na minha cozinha) das áreas de preparação de alimentos, mesmo que esse recipiente esteja tampado. Bactérias se multiplicam rapidamente e os alimentos crus como carnes e laticínios são os mais fragéis. Não sou nenhum expert em alimentos & bebidas, mas as aulas de nutrição na universidade foram bem úteis.

O que mais me deixa preocupado, dentro da minha mini-paranóia, é quando vou almoçar em restaurantes, seja naqueles dentro de hotéis ou nos de rua. Em 90% dos casos, os buffets que expõe muitas delícias não possuem nenhum tipo de proteção contra a proliferação de bactérias e de possíveis perdigotos (definição do Aurélio: salpico de saliva lançada quando alguém fala) disparados por pessoas que teimam em ficar conversando durante a montagem de seus pratos. Muitos param em frente aos balcões e até contam piadas. Imagine a quantidade de bactérias que são lançadas em direção dos alimentos durante uma gargalhada. Uma lei deveria ser criada e exigir que todos os expositores, buffets, etc tenham  uma cobertura de vidro, impossibilitando o espalhamento de substâncias indesejáveis. Plaquinhas com os dizeres “evite conversar durante a escolha dos alimentos” também deveriam estar estrategicamente colocadas nos buffets, ou ainda, nas próprias mesas. Ensinar é preciso!. Fui.

Doce inocência

Caiu o primeiro dentinho de leite do caçula de cinco anos. Foi engraçada sua reação quando descobriu que estava mole há duas semanas atrás. Ficou segurando na boca com a mãozinha e deixou de tagarelar por alguns minutos. Depois esqueceu e continuou sua rotina de brincadeiras de lego-dicoverykids-DVD-internet, não necessariamente nessa ordem. E como sempre acontece, um esbarrão da mãe ontem à noite ao enxugar seu rosto depois daquela escovada, fez o dentinho voar da boca do pequeno. Era tão minúsculo que foi difícil encontrá-lo. Eu que já estava de pijama-indo-pra-cama dei meia-volta, desci e fui providenciar a “moeda de ouro” para deixar a disposição da fadinha dos dentes, enquanto ele colocava o dentinho embaixo do travesseiro.

Demorei uns 15 minutos lustrando (na lavanderia) uma moeda (1 cruzeiro de 1945) até ficar bem produzida. Enquanto empastelava meus dedos com uma pasta de cheiro forte, lembrei das outras quatro vezes (dois filhos x duas moedas cada) anteriores que fiz isso. Quando subi, o rapazinho já dormia em sua cama e fiz a troca. Que bom. A fada-de-bigode pôde ir dormir sossegada.

Pela manhã, muito sonolento ele não deu tanta bola assim e acho que a fada não ficou tão desapontada assim, afinal estamos no século XXI, e,  ao caminho da escola, meio sonolento, fez a tão esperada pergunta inocente: “o que posso comprar com a moeda que a fadinha deixou?”. Hã?, pasmei. Depois de explicar toda a magia da primera moeda de ouro, blá, blá e blá,  ele parece que recuperou sua doce inocência e disse: “tá bom, vou guardá-la com carinho então!”. Ufa!

O cliente é o seu maior “vendedor”

Dizem que o cliente satisfeito te indica para 5 ou 6 amigos e quando insatisfeito te detona para 16 ou 17 pessoas. Outro dia o presidente de uma grande multinacional e cerca de 150 colaboradores se hospedaram num hotel paulistano. Quando o alto executivo foi deitar na sua primeira noite para dormir (passava das 22 horas) não conseguiu fechar os olhos. Um barulho constante que parecia ser quebra-quebra ameaçou seu descanso. Ligou para a recepção e foi informado que realmente o hotel estava em obras e não haveria nada que pudesse ser feito. Ledo engano do atendente. A solução encontrada pelo hóspede foi ligar para seu assessor e mudar de hotel naquele instante, levando consigo todos os 150 executivos juntos.  Não é preciso dizer quem saiu perdendo, não é?

Portão de entrada

Pesquisas anuais são realizadas no exterior para saber quais são os destinos prediletos dos estrangeiros que têm vontade de conhecer o Brasil. A Amazônia sempre encabeça a lista. E nada é o que continua sendo não feito para incentivar (e facilitar) a vinda dos tão desejados turistas internacionais. Aviões de companhias aéreas norte-americanas cruzam as proximidades de Manaus em direção ao Rio de Janeiro e São Paulo, para depois, em vôos domésticos - duração de aproximadamente 3 horas, sem contar o tempo para conexão – aterrissarem no aeroporto manauara.

Negociações e autorizações para que os vôos internacionais pudessem fazer escala por lá seriam uma das soluções. Transformar o destino no portão principal de entrada do país e vender duas outras opções, a primeira saindo de Manaus, descendo a costa do Nordeste e talvez, no segundo pacote, conhecer o Pantanal, os cânions gaúchos e as fantásticas grutas do Petar em São Paulo, e nos dois casos, fechando com chave de ouro no Rio de Janeiro, seria outra. Imagine as dezenas de possibilidades!

Outra solução seria pensar primeiro no benefício do turismo brasileiro e depois no benefício individual de cada entidade, empresa ou pessoa. Trabalhar com a união que fortalecerá o Brasil, transformando-o no destino número 1 do turismo mundial. É fácil. Basta querer.

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(imagem: rotaryblumenauacu.org.br)

Comissionar, é preciso.

Já foram muitas as conversas sobre o tema de comissionamento em vendas na hotelaria. Explico. Existem hotéis e redes que preferem não adotar essa prática no departamento comercial. Os executivos, supervisores e gerentes ganham um salário fixo e não recebem mais nada pela produção gerada. Em outros casos, os hotéis oferecem um ganho fixo para o pessoal de vendas e, além disso, agregam um incentivo percentual em forma de comissão. E, se as metas pré-estabelecidas forem ultrapassadas, paga-se um bônus ou uma premiação. Nada mais justo. O vendedor precisa ser sempre incentivado. Necessita saber que, quanto mais vender, mais irá ganhar. Essa é a lei de vendas.

Há várias maneiras de criar metas. Pode-se, por exemplo, aumentar a percentagem de ganho, caso se consiga fechar um grupo com uma tarifa mais alta. E se, no final do ano, a diária média alcançada for superada no orçamento, aí o prêmio pode ser maior. Essa é a filosofia do ganha-ganha. Todos ganham, empresários e colaboradores.

E não adianta só vender. Às vezes, o executivo dá um duro danado, consegue vender um evento de três dias com um x de hospedagem e o operacional acaba melando a estada. O grupo nunca mais volta e ainda sai falando mal do hotel. O garçom que não estava no seus melhores dias, ignora o cliente e pronto. Exige-se descontos e está criada uma situação (ruim).

Sim, não é fácil alinhavar toda a operação, mas esse é o trabalho, não é? Ou se faz a coisa certa ou muda-se de ramo e se faz o que gosta, porque quando fazemos algo que prezamos, o resultado quase sempre é bom e somos compensados por isso. É preciso plantar, iluminar, regar, dar carinho e podar para colher bons frutos. Dependemos apenas de nós mesmos. Vamos em frente?

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(imagem: prdagente.pr.gov.br)

Marketing hoteleiro

Marcelo Bicudo deixou a diretoria de Marketing da rede Atlantica Hotels International, a segunda do Brasil, com mais de 60 empreendimentos em operação além de outros 80 em negociação. A razão de sua saída é a vontade que ele tem em crescer profissionalmente. Muito honesto da parte dele. No momento que soube que deveria alçar vôo, não acreditou ser justo permanecer no emprego. Pessoas assim são valiosas e o que intuo para ele é um futuro brilhante. Marcelo será mais um profissional de sucesso a seguir carreira internacional. O marketing hoteleiro brasileiro ficou pequeno para ele.

Aliás, a criatividade e a busca incessante da inovação deveriam ser nossa regra número 1. Criar novas formas de trabalho. Não me refiro exclusivamente ao marketing, e sim a todas as áreas. Conseguir colocar na cabeça do recepcionista, por exemplo, que todo dia é um dia novo e o sorriso pode ser diferente e mais contagiante, a forma de receber o hóspede pode melhorar, o atendimento telefônico pode mudar, enfim criar novidades. E a quem cabe incentivar essas mudanças? Aos seus superiores, chefias e diretorias.

Há uma rede na Europa que oferece aos seus colaboradores aulas de artes cênicas. Poderia agregar palestras de psicologia e mágica, por que não? Já pensaram entreter seus hóspedes que estão esperando o check in ou check out com passes de mágica? O fundador do Cirque de Soleil está ensaiando há um bom tempo criar uma rede de hotéis, onde os colaboradores que tenham contato direto com hóspedes sejam artistas. Afinal, o hotel é ou não é um palco de atrações? De bem-estar, gastronomia de primeira e experiências inesquecíveis? Quebrar barreiras… vamos?

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Anúncio dos anos 40
(imagem: novomilenio.inf.br)

Internet-TV

Com chegada dos aparelhos de TV LCD que permitem também a conexão de computadores, e assim se transformam em monitores gigantes, será comum, a partir de agora, ver famílias reunidas assistindo videos antigos no You Tube ou (melhor ainda) pesquisando sites de hotéis e destinos para programar as próximas férias. Isso, sem mencionar que em breve a TV e a internet serão uma só. Aí sim, a segunda bolha webiana chegará. E tudo mudará. As locadoras de filmes fecharão as portas e as compras serão feitas na sua maioria pelo computador. Quando a geração que nasceu antes da chegada da internet, que ainda está na ativa, se aposentar e os adolescentes de hoje assumirem os postos de trabalho, os conceitos serão outros. É bom se preparar.

Inacreditável ainda vermos donos de hotéis lançando sites sem se importar em oferecer reserva online, fotos visíveis, além de outros quesitos que incentivem a venda. Sites são ferramentas primordiais de marketing. Podem ter interatividade, jogos e outras ferramentas que captem os desejos e vontades dos usuários. Todas as informações passam para o CRM (Customer Relationship Management) que permite vendermos o que o cliente deseja. Por que será que o Google comprou o Orkut? O portal de relacionamentos é o maior arquivo de gostos e desejos do planeta. Quantos bilhões valem essas informações?

A sugestão vai para para os donos de meios de hospedagem: assumam de vez a internet como ferramenta de marketing e parem de pedir para os sobrinhos desenvolverem seus sites. Já diz o ditado: o barato sai caro.

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(imagem: plasma.com)

Domingo

Levanto dormindo
Com a cabeça zunindo
Afinal, é domingo

Abro olhos no banheiro
No primeiro segundo
Embaixo do chuveiro
Desperto para o mundo

Desço a escada lentamente
Tomo café quente
Rasgo o pão, como o jornal
É domingo afinal

O folha balança
O olhar é uma lança
O ponteiro avança
A cortina dança

A tarde se esvai
A chuva cai
A dor é aguda
Amanhã é segunda

Pesquisar é preciso

Há um ano atrás uma loja (40 m²) vizinha a minha residência e ao lado da pizzaria Monte Verde foi alugada. Fiquei intrigado com o quê seria instalado ali. Depois de uma semana, podia se ler a faixa ”Locação de livros”. Pensei com os meus zíperes: esse negócio não vai dar certo. Sete meses depois, a livro-locadora (LL) fechou suas portas. Não tenho nenhuma bola de cristal nem sou um mago dos negócios, mas abrir um comércio no Brooklin Novo, onde até uma franquia da livraria Nobel não suportou a pressão internetshoppingniana é talvez ser um milionário brincando de banco-imobiliário ou alguém que não tem a menor idéia do que fazer. Fico com a segunda opção nesse caso.

O que fico imaginando é por que a ex-futura-dona-da-maior-rede-de-franquias-de-livro-locadoras-do-país não fez uma simples pesquisa antes de investir no negócio. Pelo menos, acredito que não tenha feito, porque na nossa campainha ela não encostou seu dedo. Será que ela se sentiria muito humilhada? Será que ela pensou que alguém roubaria sua idéia? Outro aspecto que não entendo é como ela conseguiu chegar nos valores de locação? Os preços concorriam com os livros vendidos (aluguel de um mês) pelo sebo da Padre Antonio, alguns quarteirões lá prá baixo em direção da avenida Berrini. Uma pesquisa de seis perguntas seria suficiente. O senhor lê livros? Quantos por ano? Compra aonde? O que faz com os livros depois que os lê? Alugaria livros? Até quanto pagaria para alugar? Pronto. Com esses dados e dependendo do número de entrevistados poderia decidir pelo melhor. Abrir ou não a LL, e se abrir, gerir da melhor maneira.

Situação pior foi a de um hotel que estava prestes a ser inaugurado no interior de São Paulo. O cidadão investiria (até o final da obra) R$ 5 mi. Sem contar o necessário para a operação, marketing, etc. Qual será a diária média que o senhor prevê para os primeiros seis meses de operação, perguntei. “Olha, eu já me hospedei em todos os hotéis da vizinhança e eles cobram entre x e y. Eu vou começar com x-15%”, me respondeu com aquele olhar sou-ou-não-sou-esperto-para-k…?.

Não pesquisou, não conversou com a concorrência, não imaginou que poderia com seu empreendimento melhorar os serviços prestados pelos outros meios de hospedagem, e abrir com uma diária maior, incentivando os colegas a também aprimorarem seus serviços, e assim, todos evoluírem? A abertura de um novo negócio é a oportunidade para que exista uma real evolução ou melhoramento. Tem hoteleiro que enxerga isso. Tem dono de hotel que nem sabe calcular sua diária média. Ensinar é preciso. Querer aprender é preciso.

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(imagem: labcad.ufrj.br)

Destino: capital da América do Sul

Não é porque sou paulistano, nascido a uma quadra da avenida paulista e torcedor do São Paulo que sempre digo que a nossa Sampa poderia (e deveria) ser batizada oficialmente como a capital da América do Sul. Existem outros motivos, mas todos eles são inspirados pelo o que a cidade oferece: gastronomia, cultura, proximidade de uma região – Litoral Norte  com as praias mais lindas do país – precisa apenas divulgar mais -, além de outras e tantas características únicas. Para ficar por dentro dos principais dados de SP acesse a página do São Paulo Convention & Visitors Bureau clicando aqui.

Outro dia meu amigo argentino Walter Paulovich comentou: “Puxa vida, estive em São Paulo recentemente (ficou hospedado no NH São Paulo na rua Frei Caneca a uma quadra da avenida Paulista) e saí para caminhar de manhã, cruzei a avenida e desci a paralela com a rua Augusta. Fiquei impressionado com o nível do comércio da Oscar Freire. Tantas lojas e restaurantes espetaculares. Por que isso não é divulgado?”. Pois é. Precisa divulgar mais.

A SP Turismo e o São Paulo Convention & Visitors Bureau vêm fazendo esse trabalho há mais de dois anos com mais afinco do que as outras gestões. Mas, o trabalho não é fácil. A cultura precisa mudar. Primeiro, o brasileiro precisa a apreender a gostar mais do seu país, da sua cidade, do seu bairro, da sua rua. Precisa lutar pelos seus direitos e bater no peito com orgulho, principalmente na hora de escolher nossos representantes no Planalto, e depois não esquecer de cobrá-los pelas promessas feitas em campanha. O brasileiro precisa parar apenas de ser patriota na hora do futebol, do vôlei, da fórmula 1 e olhe, que se os esportistas não demonstrarem uma boa performance, aí sim, o camelo rolará a duna (cansei do da vaca foi pro brejo) e que o cidadão sentirá mais raiva de ser tupiniquim.

Precisamos vender o destino. Cada vez mais. Mostrar pra todos tudo o que São Paulo tem de melhor. Divulgando o destino, mais turistas virão para cá e com o turismo todos ganham, desde os carregadores de malas nos aeroportos até os empresários de todos os setores.

Casual Retrô Boteco

Na rua do Rosário 24 em pleno centro antigo do Rio de Janeiro, fica o recém-inaugurado Casual Retrô Boteco, um restaurante frequentado no horário do almoço por executivos da região. O casarão do século XIX foi reformado e oferece mesas na calçada e nos dois salões internos.

O cardápio do dia oferece três opções sendo uma delas sempre com bacalhau. Provamos na terça-feira a saborosa Costela com feijão branco, chouriço e lombo de porco.  A porção serve generosamente duas pessoas e custa R$ 18. Para os amantes de uma boa cachaça o Casual tem uma lista com mais de 40 opções de marvadas.

Depois do almoço pode-se fazer um tour pelo centro histórico e visitar diversos centros culturais, como por exemplo o do banco do Brasil.

Serviço
www.casualretro.com.br

Estrada boa sim, escória não!

Há mais de 20 anos conheço a região de Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro. Comecei meu namoro com a Solange lá. Saudades da sextas-feiras, quando ía buscá-la na Faap para irmos direto ao destino. Em quase todos os finais de semana, até juntarmos as escovas, encarávamos a serra de 33 km de terra, pedras e muitos buracos. Para percorrer esse trajeto levávamos quase duas horas. E valia a pena.

A região compreende três vilarejos que pertencem ao município de Resende: Maringá, Maromba e a própria Visconde de Mauá, ou simplesmente Mauá. Nossa hospedagem quase sempre era na casa da Tia Santina em Maringá, que naquela época oferecia seus cafés da manhã, almoços e jantares na varanda na parte de trás de sua casa. Tudo era feito no fogão à lenha e os sabores e ares sensacionais. A simplicidade era nossa maior riqueza. Maringá tinha uma dúzia de lojas, alguns poucos restaurantes e um número já alto de pousadas, incluindo o hotel Buhler, o mais caro e tradicional.

A estrada melhorou muito. Os primeiros 15 km estão asfaltados e o restante não tem tantos buracos. O trajeto de ida pode ser feito em menos de uma hora. Lá em 1986 todos falavam que todos os 33 km seriam asfaltados em breve e que isso traria melhorias. Muitos habitantes eram contra, dizendo que o asfalto seria a desgraça de tudo. Passados todos esses anos, escutamos de novo que a verba já está aprovada e que as obras vão começar em breve. Um abaixo assinado está sendo feito contra o asfalto. As alegações são as mesmas. Maringá mudou muito. Os terrenos vazios sumiram – um dos poucos virou estacionamento – e a rua da ponte ficou irreconhecível. A via principal (apenas no centro) foi asfaltada e ficou mais estreita. As pousadas aumentaram. Não sei se o asfalto ajudará ou castigará a região. Uma faixa estava pendurada ao lado da cachoeira do Escorrega. Estava escrito: estrada boa sim, escória não!

Por duas vezes tentamos mudar para lá, desenvolver um negócio, mas o destino não quis. Na última tentativa em 1992, depois de termos escolhido um terreno para comprar, sofremos um grave acidente na via Dutra. A Solange quase passou a régua e desistimos de ir. Ficamos desde aquele ano sem voltar. E, agora no carnaval de 2008 resolvemos regressar, incentivados pelo nosso amigo Alexandre Chut, que nos convidou para conhecermos sua casa (sem energia elétrica) no alto de uma das maravilhosas montanhas da região.

No último dia de nossa estada, resolvemos ir até Maringá, onde deixamos de ter contato com a família da Tia Santina. Foi emocionamente encontrá-los 16 anos depois. As crianças Mauro, Graça e Beto cresceram, casaram e constituíram famílias. Mauro trabalha como servente em um hotel e nas horas que não está lá, cuida das mais de 20 colméias – tira por ano cerca de 200 litros de mel. Ele está no segundo casamento e tem quatro filhos. Graça tem uma loja ao lado do posto BR entre Mauá e Maringá e está construindo dois quartos em sua casa para alugar aos turistas. Ela também casou duas vezes e tem três filhos. Beto tem uma menina de dois anos, a linda Maria Clara. A Tia Santina continua cozinhando maravilhosamente bem, e, em seu pequeno restaurante pudemos saborear sua simples e deliciosa comida. Os outros três filhos, Cida, João e Zezé já eram casados naquela época. Amadureceram e continuam trabalhando e prosperando.

Mais sorriso, mais olhar, mais tudo!

Li o mais recente do Nelson Motta. Muito genial o Tim Maia. Ele que dizia a plenos pulmões, como trovões lançados por um deus irado no meio do palco: mais grave, mais agudo, mais tudo! Sempre exigindo o máximo de todos e de si mesmo.

E é isso que sinto (falta) quando chego num hotel. Desde manobristas, passando pelos quase extintos capitães-porteiro e mensageiros (quando não estamos num dos econômicos da vida), até chegarmos aos recepcionistas, estrelas supremas do quadro de colaboradores dos meios de hospedagem. Sim, eles são responsáveis pelo contato com os hóspedes e deveriam trabalhar em condições melhores.

Infelizmente, ainda existem hoteleiros e donos de hotel que não entenderam, suas fichas não caíram, seus cartões (telefônicos) não entraram. Cadê o sorriso, o olhar, cadê tudo!?

Trabalhei num cinco estrelas e tive a oportunidade de conhecer dois gerentes-gerais. Um deles chegava para trabalhar e mal olhava para a recepção, onde quase como militares, batíamos uma (in)continência imaginária. Na gestão deste mal humorado, o hotel não ía bem. A ocupação e o revpar não eram lá essas coisas, os colaboradores trabalhavam como máquinas parecendo levar nas suas costas pilhas gigantes. Já, o outro GG chegava de manhã e distribuía vários sorrisos e bom dias. Na sua gestão, todos trabalhavam felizes e compartilhavam o sentimento com os demais colegas de trabalho, inclusive com os hóspedes. O efeito era instantâneo: a ocupação e o révi subiam e a felicidade era geral.

Recentemente, me hospedei num ex-4 star e nunca vi o gerente. Os recepcionistas sempre olhando para baixo nos monitores e dando mais importância para os deveres burocráticos, sendo pressionados por controladores financeiros para não errar. Esse tema é antigo…

Uma dica para os gerentes e donos de hotéis que imaginam ser também os donos da razão. Escutem mais seus colaboradores, conversem, troquem idéias. Invistam em mais treinamentos, mystery guests e consultorias especializadas. O atendimento sempre será o maior diferencial. Afinal, o que quer dizer hospitalidade?

Cá estou também

Bem vindo!

Pois é, depois de quase cinco anos sendo dono de site,  aqui estou.

A idéia é escrever críticas, pontos de vista e também sobre os amigos.

O objetivo é contribuir para o crescimento do Turismo no país, que sem dúvidas, pode ser o maior do segmento no planeta. Falo isso há mais de 20 anos: o Brasil pode viver apenas do Turismo. Temos tudo que os turistas querem, praias e montanhas mil, a maior selva tropical do mundo, pantanal, canions, cachoeiras e ainda, o mais importante: hospitalidade, simpatia e alegria!

Boa leitura e um abraço!

Peter