Arquivo de Abril, 2008

Saindo do pântano

Lembro bem do Claudio Cid, o gerente da Recepção que chegou dos Estados Unidos para substituir a gerente-não-me-lembro-o-nome que me havia contratado para ser o gerente noturno no Meliá WTC, isso, há pouco mais de 10 anos atrás. Aliás, lembro muito bem que quando entrei no hotel, a primeira coisa que o Maurício (o gerente que eu estava substituindo) me estimulou dizendo foi: “olha de gerente aqui você só vai ter a nomenclatura, porque na verdade terá a função de um supervisor da Recepção”. Imagina a brochada que dei…

Uns três dias depois, ao olhar a escala de folga, vi que a minha estava marcada para a quinta-feira. Pedi logo para mudar pro domingo. Alessandro, o supervisor da tarde fez a alteração e quando voltei para trabalhar na segunda, havia um recado para eu esperar pela gerente na manhã seguinte. Quando ela chegou, me chamou pra minúscula sala que ocupava. Tomei uma dura: “quem você pensa que é pra querer folgar no domingo”, foi logo dizendo.

Uma semana depois ela saiu do hotel e o Claudio Cid assumiu a gerência. Ele gostava muito de reunir a equipe e dar pequenos treinamentos. “Vocês têm que sair do pântano”, dizia. “Têm que parar de ficar conversando sobre assuntos da vida alheia, comentar a vida dos outros, falar de coisas que não agregam nada na vida. Precisam buscar nas conversas assuntos positivos. Helloooooo!”, ele costumava gritar.

Fico pensando o que ele diria pra esse povo todos que só comenta o caso da menina que foi morta em São Paulo. E pro pessoal que congestiona quilômetros nas marginais e avenidas da cidade só para ver um carro com pneu furado? Hellloooo!! Saudades do Claudio! Boa semana!

Hotel-Escola: qualificação superior

A grande vocação do Brasil para o turismo necessita obviamente capacitar cada vez mais os profissionais do segmento. A maioria das universidades oferecem cursos de hotelaria, porém os formandos saem delas sem ter um direcionamento que realmente faça com que se engajem rapidamente no mercado. Todos sabem que ninguém sai de uma faculdade, trabalha alguns meses e é promovido a gerente. Aliás, em nenhum setor isso acontece. As vezes um QI ajuda, mas não acaba valendo, nem para o empregado, tão pouco ao empregador.

Já visitei laboratórios de várias universidades. Todos tem uma recepção, quarto, até algumas mesas para servir, mas falta o equipamento mais importante: o hóspede. É ele que dá a experiência ao recepcionista, executivo de contas, mensageiro, à camareira, ao garçon… É ele que faz coisas que às vezes desnorteam. É e justamente o “norte” que deve estar sempre na mente dos profissionais. Quem tem a bússola…

Os hotéis-escola são uma excelente forma de treinar e preparar os futuros profissionais. A partir do segundo ano – o primeiro é básico – o estudante poderá passar por todas as áreas do hotel e a partir do terceiro, escolher qual área desejará se aperfeiçoar. Óbvio que regras deverão ser criadas como por exemplo exames de qualificação.

Os hotéis-escola permitirão que o estudante obtenha uma experiência de no mínimo dois anos e já consiga entrar no mercado em condições melhores. Com o passar dos anos o nível de qualificação será cada vez melhor e os estudantes terão uma luz maior no fim do túnel. Passo a bola para as intituições de ensino. Bom feriado!

Ação versus reação

Os elevadores voltaram a minha rotina desde ontem, quando finalmente mudamos para nosso novo escritório. Escrevo “finalmente” pois foi longa a espera pela instalação do serviço de acesso à internet. Quase um mês de expectativa e de aluguel. Será que entro com uma ação contra a empresa?

Bem, voltando ao assunto dos elevadores, a utilização desse meio de transporte – aliás um dos mais seguros do planeta – voltou ao meu cotidiano. Apesar de eu ter subido os seis lances de escada duas vezes, pois segundo o amigo Aleh Chut faz bem subir escadas, cruzei com vários vivis (vizinhos e visitantes) durante o dia. Minha ação ao entrar no subidor-e-descedor-de-gente é sempre cumprimentar com um simpático “bom dia” e “tchau”. Tem gente que responde, tem gente que não responde, o normal de sempre. Mas não vou deixar de esboçar meus simplórios gestos se um ou outro não correspondem aos meus desejos de boa vizinhança. Afinal, por que devo reagir? Prefiro agir e seguir meu caminho com o sentimento sincero por onde quer que eu vá. Aliás… Fui!

Turismo x caminhões

Como seria bom se pudéssemos reunir a esposa e as crianças, encher o porta-malas e ir viajar nas férias para um destino fora de nossa cidade ou estado. Lembro a última vez que fizemos isso. Foi em 2001 e decidimos fazer uma visitinha para o nosso amigo Garcia que naquela época era o gerente de Manutenção do Transamérica Comandatuba, lá na Bahia. Saímos numa madrugada e a idéia foi seguir direto para Vitória no Espírito Santo. A viagem de ida e volta foi tranquila exceto pela preocupação nas ultrapassagens que sempre éramos obrigados a fazer nos enormes caminhões-cargueiros e, é claro, na buraqueira das estradas.

É impressionante como quase 8 anos depois dessa viagem, que nos possibiltou conhecer locais e praias lindas, nada foi feito para inibir o aumento dos caminhões que circulam nas rodovias e conseqüentemente o número de buracos, provocado pelo excesso de carga, velocidade nas frenagens e qualidade ruim do asfalto.

Para quem leu Mauá, o empresário do século, fica mais fácil entender porque a malha ferroviária não cresceu no país. Naquele período, quando o Barão de Mauá quis iniciar a construção de ferrovias por todo o Brasil, principalmente, entre o Nordeste e Sul, encontrou uma barreira muito forte e egoísta. Os “empresários” que dominavam a economia daquele tempo eram os proprietários dos navios que faziam o tráfico de pessoas. Com o fim da escravatura, esses negociantes se viram parados com inúmeras embarcações sem ter o que fazer. Decidiram então transportar mercadorias para as capitais brasileiras e assim, quando Mauá chegou e quis desenvolver um transporte que traria o desenvolvimento correto para o país, essa gente fez pressão e inibiu o início de uma era que poderia ter mudado os rumos do Brasil.

Passados mais de 200 anos, parece que alguma luz no final do túnel começa a cintilar. Há promessas de construir duas linhas para trens de velocidade rápida entre São Paulo e Rio de Janeiro e entre Campinas e a capital paulista. Isso alanvacará a ida de turistas para o Rio e vice-versa, e quem sabe outros estados também imitem a iniciativa. Já, os caminhões continuarão a imperar nas rodovias, pois existem muitas empresas que vivem dessa onda como seguradoras, fabricantes de autopeças, petrolíferas, marginais que assaltam os caminhões, empresas de segurança que fazem escolta aos mesmos, entre tantas outras.

Volto a repetir: se começarmos a pensar no país primeiro e depois em nós, teremos grandes chances de transformar este Brasil em uma das principais potências do mundo. Como dizia aquela canção… “Depende de nós…” Boa semana!