Arquivo de Maio, 2008

Cadê a tábua?

Há alguns dias fui com meu amigo Ari Giorgi tomar uns choppes num hotel da região dos jardins. O empreendimento fica muito bem localizado e já tem vários anos de estrada. Ficamos obviamente no bar e depois da primeira rodada, resolvemos pedir algo para comer. Enquanto o garçom nos olhava com cara de não-sei-sugerir-nem-vender-só-sei-servir , optamos por meia tábua de frios com meia de queijos. “Podemos pedir meia tábua de cada?” Sim, disse o solícito atendente.

Passados poucos minutos, ele chegou com nosso pedido: um prato fundo, cubos com dois tipos de queijo e outros tantos quadradinhos de apresuntado. Isso mesmo. Fiquei imaginando como seria a tábua inteira de cada uma das opções. Das duas, uma. Ou a tábua não tem saída, ou não sabem como preparar, ou não tinham outros ingredientes, mesmo sendo uma quarta-feira. Ou será que o chef não gosta de frios e queijos? Qual será a desculpa? Será que ele é oriental e não conhece presunto? Já sei! Existem dois chefs, um que trabalha pela manhã e coordena a fatiação das iguarias para o café da manhã e outro que trabalha à noite e não põe a mão nos frios. Um conhece e o outro não. Acho melhor voltar lá e tentar descobrir. Vou me hospedar secretamente e pedir uma tábua de frios. Vamos ver como ela será. Será que a tábua virá?

Fiz uma busca de tábua de frios no Google e confiram o que encontrei. Exemplos não faltam. O que falta é interesse em melhorar e se aprimorar. Detalhe é tudo. Vou nessa! Boa semana! 

Dinheiro da carteira dos outros…

A municipalidade de São Paulo está renovando as calçadas de alguns bairros da cidade. A ação, dizem, faz parte do Cidade Limpa, projeto do prefeito. Até aí, tudo bem, melhorias devem ser feitas pois os cidadãos pagam o IPTU e têm o direito de andar com segurança mas, infelizmente, como quase tudo aqui se faz sem planejamento, não é apenas a água da chuva que vai para a sarjeta mas nosso dinheiro também.

No ano passado, a mesma municipalidade executou uma obra na avenida Padre Antônio José dos Santos aqui no nosso bairro do Brooklin Novo. Quebraram as esquinas das calçadas para adequá-las na lei de acessibilidade, rebaixando as guias e implantando placas no chão para pessoas com necessidades especiais. A maioria das guias também foi trocada. Até aí tudo OK.

Porém, neste ano começaram a quebrar todas as calçadas novamente. Um novo padrão de calçamento foi criado e não perdoou nada. Nem quem havia gastado centenas de Reais como foi o caso de uma loja que havia feito um piso muito bonito com placas de concreto e, tampouco, a própria adequação no quesito acessibilidade. Calçadas em perfeito estado foram quebradas para dar lugar a um projeto, que na minha opinião, não vai durar nada. Se ao menos houvesse um padrão também, ok, mas quem caminhar pela via, verá muito serviço indigno de aprovação.

Achávamos também que iriam respeitar a regulamentação em respeito a forma que os veículos estacionam nas calçadas, fazendo com que idosos e crianças tenham que desviar pela rua, correndo riscos de vida. Alguns pontos comerciais deram um jeitinho para deixar como as coisas estavam num bom bate-papo com o pessoal da obra. E outros que possuem espaço suficiente para oferecer estacionamento tiveram seus espaços bloqueados!

Desperdício para uns, lucro para outros, afinal estamos em ano eleitoreiro e as campanhas precisam de “doações”… Ah… não esquecendo em mencionar as novas calçadas da avenida Paulista. Ficou lisinho e feinho. Sem sal, sem graça e sem personalidade. Buá buá, vou nessa pra Gramado, lá quase tudo é bunitinho e não tem boneco joão-bobo! 

Embrulhagens

Meu filho de cinco anos está naquela fase dos brinquedinhos do NhacDonalds. Só vai lá para ganhar as bobagenzinhas, mas pelo menos não desperdiça a comidinha. Come (quase) tudo e eu acabo também comendo alguma coisa afinal ninguém é de ferro e muitas vezes comemos apenas por inércia – ainda consigo sair dessa algum dia!

Na hora de ir embora, geralmente eu que vou jogar fora os restos. Toda vez penso a mesma coisa. Pra que tanta embalagem? O sanduíche vem na caixinha. A batatinha vem no copinho. A salada na travessa de plástico, o suco no copo descartável. O sundae, idem. A tortinha na embalagem de papelão. Ufa! Cada consumidor mactrouxiano produz em média quase um saquinho plástico (aqueles de supermercado) de lixo não compactado por refeição. É muito lixo! Se você já foi lá na loja do Ronald, já deve ter percebido isso ou talvez não afinal algumas coisas são importantes para alguns e nem tanto para outros.

Eu não me importaria em receber os sandubas e as outras coisas em embalagens mais simples. Poderiam até baratear um pouco os preços e ajudar nosso querido planetinha (me deu saudades do Tom!) a se livrar do lixo excessivo.

A maioria da população terráquea adora embalagens. Principalmente as crianças, que são atraídas pelas cores e bocas, sorrisos e palhaçadas. Aí crescem acostumadas pelo lixo do luxo insano. Aquele que apenas dá aparência e não experiência. Boa semana!

Ô Clides!!!

Sabemos que o Dia das Mães é um dos melhores momentos do comércio de varejo no Brasil. Temos o conhecimento, alguns mais, outros menos, que os dias temáticos são uma forma de homenagear sexos, profissionais, parentes, mães, avós, pais e etcetera. E não estou aqui escrevendo neste domingo materno contra esse padrão.  Já disse outrora vezes que é injusto pensar na mãe ou na mulher apenas em um único dia. 

Agora, que os cabelinhos brancos estão mais aparentes e o nosso timing mudou. Sim, quando passamos de uma certa idade, damos uma diminuída na adrenalina. Os carros passam às vezes rápido demais, os barulhos começam a ficar mais agudos. Começamos a dar mais valor a certos aspectos que quando jovens não percebemos. Generalizo isso sendo do sexo masculino. Não estou aqui falando por todos, mas por mim. Se alguém concordar, OK, se não… OK também.

Mães são uma só. O sentimento que nutrem aos filhos são únicos e não podem ser comparados com nenhum outro. O carinho, a dedicação e a entrega total são exclusivas delas. Não há pai que possa substituir isso, mas isso eu deixo para tentar comentar no dia deles.

E pra minha mãe (e para todas as outras que conheço também) que no momento que escrevo estas linhas deve estar entrando no espaço aéreo brasileiro, vindo de Paris, desejo um super dia, semana, mês, ano… Tudo de bom. Obrigado por tudo! Você é demais! Super-beijo! Agora, enquanto ela não chega, vou pra casa da sogra. Afinal, é dia das mães! Fui, abraço e boa semana!

Subindo à cabeça

Um dos fatores que mais atrapalham o desenvolvimento, seja de um negócio ou de um profissional, é a acomodação. Já escrevi sobre sapos-fervidos em relação às empresas. Hoje vou tentar escrever sobre os profissionais. É muito comum encontrar jovens executivos recém-formados ou com um par de anos de formação que iniciam um trabalho em uma determinada empresa. A atuação muitas vezes é exuberante. Expectativas dos empregadores são superadas e o reconhecimento surge antes do esperado. É aí que mora o perigo. Jovens executivos possuem grande habilidade em atuar com desenvoltura e força física. Possuem a arrogância necessária para não permitir que desagrados atrapalhem o caminho do sucesso. Quando começam algo vão até o fim.

O problema é quando começam a achar que são os únicos do mercado.

Começam a pensar que sabem tudo e que a empresa depende, agora, só deles para seguir o caminho. Não dialogam e preferem aceitar sugestões ou interferências externas. Pensam em abrir seu próprio negócio acreditando que a fórmula é fácil. Não vêem o passado, apenas o presente. É muito comum as pessoas pensarem que tudo é fácil e um caminho de rosas o tempo todo. Dou o exemplo de um cantor/cantora ou banda de música. Quando atingem o sucesso, todos pensam que foi da noite para o dia. Vide o exemplo dos Mamonas Assassinas, de Zezé de Camargo e Luciano. Quantos anos de estrada pelejaram para chegar às paradas de sucesso? É óbvio que não podemos generalizar, mas 99% dos cases da ascensão sou-the-best-fuck-the-rest não dão certo.

Jovens profissionais e empresários de meia-idade podem ser comparados aos adolescentes e seus pais. Os conselhos e advertências só servem para esnobar, encher o saco e etcetera. O timing quando amadurecemos é outro e a experiência continua sendo relevante. Continuo achando que deveríamos nascer velhos e morrermos nenês. Quando tivéssemos 30 e poucos anos com certeza tudo que fosse feito seria certo. Diálogo, comunicação, humildade e paciência. Isso sim deveria ser ensinado nas universidades! Vou nessa que hoje tem festa de casamento! Boa semana!