Arquivo de Junho, 2008

Tudo, menos isso!

Um amigo resolveu sair do hotel que trabalhava como diretor. “Não gostei do novo gerente geral que assumiu recentemente”, disse. “O cara não tem visão mercadológica e ainda por cima é um grosso!”. Aproveitei e perguntei: o que pesou mais na tua decisão?  Na lata ele respondeu: “o fato dele ser grosso. Tudo,  menos isso!”

É gente, incompetência as pessoas até aturam. mas grosserias não. Agora, fico pensando no caso deste gerente geral. Ele é grosso, porque não tem visão ou não tem visão porque é grosso? O que, como, quando (e será que) ele pensa? Como foi a vida desse e de outros cidadãos que acham que serem grossos e portadores de chicotes cabresteais podem podem fazer seus colaboradores (funcionários, associados, etc) exercerem suas funções com dignididade, alegria e felicidade? Como ele pode exigir que eles tratem os hóspedes com simpatia?

Conheço um gerente geral que foi mandado embora por ser muito grosso. O RH recebeu tantas queixas que acharam melhor dispensá-lo para melhorar o clima no hotel. Pois é, reclamem! Ninguém é obrigado a trabalhar nessas condições. Reclamem e botem pra fora porque o gerente geral é apenas o líder do empreendimento. Não é ele que abre a porta do carro que trás o hóspede e nem que faz o check in. Não é ele que limpa o quarto e que leva o pedido do room service. Sua maior obrigação é dar o exemplo e cuidar (muito bem) de seus colaboradores para que estes atendam seus hóspedes com alegria. Se o seu gerente geral (ou superior) é grosso, peça ao RH para que tome providências. Vou nessa! Abraços e boa semana!

Cadê o RH?

Uma das coisas que mais gosto de fazer é encontrar os amigos. Seja num almoço, café, numa pizza ou mesmo até no telefone, afinal estamos nos encontrando nas linhas e fibras óticas, ou não? Outro dia, num desses encontros, o meu grande amigo-que-não-vou-dizer-o-nome-prá-não-complicar-a-vida-dele ou deveria-dizer-para-lhe-fazer-um-favor desabafou: “somos meio que obrigados a fazer plantão no final de semana. Até tudo bem, mas agora a direção do hotel veio com um memorando dizendo que a partir desta semana podemos usar o restaurante do hotel apenas uma vez ao dia e que se quisermos levar a família temos que pagar pela hospedagem e alimentação!”. Pasmei. A comida caiu da minha boca, meus olhos ficaram vidrados, minha pressão subiu…! Truta-que-pariu! Será que alguns meios de hospedagem que não visam a hospitalidade têm um departamento de Recursos Humanos? Cadê o RH, gente? Ou eles vivem na época do DP? 

Como é que os colaboradores desses hotéis poderão sorrir e atender os hóspedes com simpatia? Como que eles vão acordar e ter vontade de ir trabalhar? E o RevPar? Com certeza vai cair. E aí, quem vão culpar? Quais cabeças irão rolar? Qual ponta da corda vai se romper?

Minha sugestão é que essas empresas contratem imediatamente uma consultoria de RH, de hotelaria ou talvez uma mãe-de-santo para ir benzer a diretoria que com certeza deve estar impregnada com fluídos maléficos da idade média. E você leitor, que pode ser um dos gerentes de plantão deste final de semana, ligue pra mim. Vou ouvir suas lamentações e tentar te ajudar! Fui!

O formato precisa mudar

Continuamos a ir às feiras e outros eventos do setor de turismo. Aviestur, Abav, Braztoa, Festival de Turismo de Gramado, Encatho, EBS, DBS… E é inacreditável como, mesmo com o advento da internet, algumas pessoas continuam indo com malas de rodinha para encher com folhetos que são distribuídos pelos expositores. Cito a internet porque tudo que você imaginar está lá. Inclusive folders de hotéis que podem ser “baixados” e impressos de acordo com a necessidade. Aliás, chega de gastar papel à toa. Imprimem-se toneladas que são inutilizadas nos lixões metropolitanos.

Chego a conclusão que o formato dessa feiras precisa mudar. Os expositores querem é fechar negócios, conhecer novos clientes e pelo menos tentar recuperar os investimentos gastos nos estandes. Conversei com o Antonio Dias, diretor executivo da The Royal Palm Hotéis. Na Abav, sua rede desembolsa cerca de R$ 100 mil no estande. “Não há retorno durante a feira desse investimento. A maioria dos visitantes vêm atrás de brindes”, lamenta. ”Infelizmente precisamos estar nas feiras. Temos que reforçar nossas marcas”, lamenta mais ainda.

As entidades ligadas ao setor de eventos deveriam pelo organizar o cronograma das feiras. Novembro é o mês das loucuras. Eventos no Sudeste, Sul e Mercosul atordoam as agendas de todos. Será que poderemos um dia ver a razão vencer os anseios e interesses pessoais? Será que um dia vamos ser racionais e nacionais? Vou nessa… Bom domingo e excelente semana!

Põe um especialista!

Já está mais do que provado que o Turismo é um grande negócio. Argentina, Espanha, França, México e tantos outros países já perceberam que os recursos provenientes desse segmento são bons prá caraca. O governo atual criou pela primeira vez assim que assumiu o poder um ministério exclusivo. O primeiro a ocupar um cargo, o Mares Guia, fez um trabalho que foi elogiado. Depois de sua saída, a Marta Suplicy foi a indicada e continuou seu legado. Em breve, ela também deixará de ser ministra para concorrer a eleição municipal de São Paulo.

Pois bem. Chegou a hora do governo contratar um especialista na área. Alguém que seja turismólogo de formação ou de vivência. Aquele que conduza o negócio e consiga quebrar as barreiras político-econômicas de vez. Que libere verbas sem pensar em outros assuntos posteriores. Converse com o trade de verdade. Não estou escrevendo aqui que os dois ministros não fizeram isso, porém é preciso fazer mais.

Vamos pra frente Brasil. Unam-se governantes do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, da Bahia, do Ceará, Distrito Federal, Goiás, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, de Minas Gerais, do Pará, da Paraiba, do Paraná, de Pernambuco, do Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, de Rondônia, Rorâima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins! Vocês podem fazer esse país ser o maior do turismo mundial. Todo o trade torce por isso, bem como os cidadãos, pois além de tudo, o turismo não é um simples negócio, é o negócio do bem-estar, da paz, do bem viver! E ainda melhora todas as condições de vida. Viva! E boa semana!