Arquivo de Agosto, 2008

Hotel 3D

Sexta-feira assistimos a película U2 3D e a saudade bateu - em 2006 fomos ver os dois shows da banda irlandesa no estádio do Morumbi. Muito legal o filme, se não fosse a atmosfera do cinema, às vezes tínhamos a impressão de estar realmente no show. Antes do filme começar passou um trailer de uma animação também em 3D e outro filme em cartaz nos cinemas nacionais, A viagem ao centro da terra, também utiliza essa tecnologia que nos anos 70 tentou emplacar. Com a chegada dos DVDs, da internet e principalmente das grandes TVs de plasma/LCD, além dos fabulosos home-theaters, ir ao cinema hoje em dia não tem tanta graça assim. Podemos ficar confortavelmente instalados em sofás e não ter a necessidade de enfrentar filas e congestionamentos em subsolos shoppingnianos, além de termos um custo de mais de 50 reais (por casal) para ingressos e pipoca.

Os índices de audiência nos cinemas caíram muito nas últimas décadas. Nem as tentativas em deixar as poltronas mais confortáveis, oferecer sacos gigantes de pipoca com direito à refil conseguiram trazer mais espectadores. É óbvio que os índices são comparados com o crescimento da população das cidades, por isso as existentes filas não significam a audiência expectada pelos produtores. Com isso, os filmes 3D são a nova esperança em tentar atrair mais público. Na minha opinião, essa tecnologia logo estará nas nossas casas também. Na Conotel do ano passado e na edição de 2008, a Hoffmann – uma das maiores empresas de áudio e vídeo do Brasil – apresentou um TV LCD 3D em seu estande.

A pergunta é a seguinte: o que os produtores vão inventar para atrair mais público? E qual a relação com a hotelaria, pois afinal de contas, o título deste post é Hotel 3D, certo?

Desde os primórdios da hotelaria, amenidades têm sido implantadas constantemente. Se voltarmos 100 anos atrás e analisarmos um dos primeiros hotéis cinco estrelas da América do Sul, o Plaza Buenos Aires, atualmente operado pela Marriott na capital argentina, o que se oferecia a mais naquela época para atrair os hóspedes? Banheiro, telefone e ar condicionado nos apartamentos, itens que atualmente são tão comuns que não podemos imaginar um hotel sem essas facilidades. Com o passar dos anos, o que mais foi desenvolvido para o conforto do hóspede? TV, pantufas, chocolatinho de boa noite, acesso à internet, spas… E o que mais? É muito pouco para 100 anos, não?

Na abertura da Conotel deste ano, um dos temas foi A hotelaria do futuro, em razão da comemoração dos 50 anos do evento hoteleiro. Projetou-se então como será a hotelaria daqui a mais 50 anos, ou seja em 2058. O que se apresentou, em uma produção estrelada por um ator global, foi um recepcionista holográfico, um apartamento que abrirá a porta com uma leitura da íris do hóspede, um aparelho do tamanho de um i-phone controlará todo tipo de equipamento existente na UH, que poderá ainda ter as cores das paredes trocadas ou até mostrar paisagens de todo o tipo, e mais:  o cardápio do room-service poderá ser visualizado em uma tela de plasma e a escolha do prato será feita apenas com um toque. OK, legal. Tudo tecnologicamente correto. Mas é só isso?

A hotelaria deve ser vista pelos profissionais do setor como uma forma de apresentar toda essa inovação antes dela estar nas prateleiras das lojas. A hotelaria deveria ser como a Fórmula 1, que desenvolve a tecnologia antes de chegar aos nossos veículos. Parcerias com empresas do setor de informática, áudio, vídeo e etc poderiam ser o grande motivo em atrair mais hóspedes. Investir, criar, desenvolver novas idéias e mandar para o espaço aquele chocolatinho de boa noite. Algumas redes internacionais mantêm em suas sedes (nos States) verdadeiros laboratórios para criar novidades e aperfeiçoar as amenidades existentes. Aqui no Brasil, tem hotel que possui tecnologia de ponta, mas que não é utilizada porque não se sabe utilizar o software de CRM. A hotelaria brasileira anda que nem gente grande, como é o caso de alguns hotéis paulistanos (estou pensando em apenas dois) e na maioria engatinha como bêbe. Um dia (será) que a gente chega lá? Desejo uma semana de excelente criatividade para todos! Vamos crescer?

Criar, é preciso!

Minha paixão pelos Beatles me levou até a loja Blackbird localizada na avenida Paulista. Isso me faz lembrar das minhas andanças pelos sebos e pelas feiras da praça Benedito Calixto e do Bexiga. Aos sábados, pela manhã, eu ía atrás dos LPs dos quatro cabeludos de Liverpool para montar a minha coleção brasileira, que está quase completa – faltam dois LPs e um compacto. Não tive coragem em colecionar as edições inglesas, já que cada um dos albuns lançados na época custa hoje entre 250 500 doletas. Há casos, como o LP norte-americano Yesterday and Today que chega a valer mais de US$ 2 mil. Mas, isso é outra história.

Já são mais de cinco anos que conheço o proprietário da Blackbird, Vladimir Dantas. Atualmente nos vemos quase diariamente, pois sua loja fica a poucos passos do escritório do Hôtelier News. Às vezes até almoçamos juntos. Na sexta-feira fiz uma visitinha e conversamos bastante. Enquanto o som dos Fleet Foxes rolava nas caixas – a banda é muito boa, nova e de Seattle – conversávamos sobre os planos de Vladimir sobre a Blackbird. Ele me dizia que suas vendas acontecem muito mais pela internet ou pelo telefone. “Se eu colocar na ponta do lápis, a loja me dá prejuízo. Tem dia que não vale a pena abrir, pois todas as vendas são feitas online ou por telefone”, explica. “O único dia que vale a pena vir é o sábado. A loja virou point e sempre está cheia. Além do que, uma vez por mês, uma banda vem tocar Beatles. Por isso penso em achar um espaço para atender somente aos sábados”.

Sugeri a ele então que busque uma sala em um dos hotéis da região pois geralmente aos sábados a ocupação do departamento de eventos é tranqüila. Além disso, existe segurança e infra-estrutura de alimentos & bebidas para atender seus clientes. “Poxa legal, acho que vou fazer isso mesmo!”, disse.

Eu, se tivesse um hotel, convidava o Vladimir para montar sua loja lá. Até fiquei viajando e pensando num espaço que reunisse um café transado, bar, loja de livros e de música. Poderia ter até uma área para exposições e aí sim, estaria criado em point cultural que atrairia com certeza hóspedes e vizinhos. Os hotéis podem criar atrações novas, mudar um pouco, sair do arroz-e-feijão, inovar e vender mais! Será que é tão difícil? Será que todos estão engessados, travados ou perdidos? Vamos lá gente! Nós brasileiros somos muito criativos. Vamos virar a mesa e inovar nossa hotelaria!!! Desejo uma boa semana cheia de idéias! Fui!

Hotelaria e os navios. Parte 2

Entre 2006 e 2007, vários hoteleiros incluindo suas entidades representativas fizeram vários manifestos contra os navios de companhias que realizam cruzeiros pela costa brasileira. Foi uma grande chiadeira que afirmava a injustiça das embarcações pelo fato de não pagarem impostos e não gerarem nenhum insumo nas economias dos destinos atracados. OK, uns tinham razão em certos aspectos e outros também não deixavam em ter as suas.

Durante a última edição do Congresso Nacional de Hotelaria (Conotel), realizado na semana passada no Rio de Janeiro, um dos assuntos mais discutidos foi a candidatura da cidade para os jogos olímpicos de 2016. Um dos problemas apontados pela Comissão Olímpica Internacional (Coi) é a falta de leitos da cidade. Construir mais meios de hospedagem para o evento é assinar o atestado de estupidez, pois o Rio – leia-se Barra da Tijuca, pois é onde ainda há espaço – não possui um índice de ocupação que permite sonhar com um esse desenvolvimento. Uma das sugestões da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), organizadora do Conotel, é trazer navios e transformá-los em hotéis flutuantes, devidamente ancorados nos cais outrora guinleanas.

Muitos congressistas e participantes deram risada e alguns relembraram o velho provérbio, “quem cospe para cima acaba sendo atingido pelo próprio cuspe!”. Eu não vejo dessa forma. Tudo bem, a gestão era outra e às vezes falamos o que não queremos. Eu sempre procuro analisar os dois lados, pensar com a cabeça dos envolvidos e chegar a um acordo que satisfaça a ambos. Se o Rio vai sediar as olimpíadas, tudo bem, mas desconheço na história um país que tenha sediado um Copa e dois anos depois ter organizado uma Olímpiada. Minha intuição diz que Chicago ou Tóquio serão um dos ganhadores. Nada contra o Rio, ao contrário, adoro a cidade e já escrevi que ainda vou morar nela, mas visualizo que talvez nos jogos de 2020 ou 2024 estaremos mais preparados. O negócio é se concentrar na Copa, fazer um excelente trabalho, limpar as cidades, melhorar seus entornos e colocar em nosso portfólio uma perfeita organização de um evento que sem dúvida é muito mais economicamente vantajoso para todos. E, a final do torneio obviamente tem que ser no novo Maracanã! Boa semana!

Hotéis-paraíso

Sim, estou criando uma nova categoria hoteleira: a dos hotéis-paraíso pois nesta semana tive a oportunidade em conhecer um deles. O Brasil tem um dos litorais mais bonitos do planeta. Encrustrado em uma das inúmeras e beles praias de Santa Catarina fica o Ponta dos Ganchos Exclusive Resort. O empreendimento faz parte da cultuada associação Relais & Chateaux (junto com mais dois hotéis no país – Fazenda Rosa dos Ventos e Estrela d’Água), e já ganhou menções em revistas especializadas como a Condé Nast.

Situado no alto de um morro e numa área de 80 mil m², o Ponta dos Ganchos tem apenas 20 bangalôs, o menor deles tem 80 m² e o maior 180. Nos hospedamos em um dos bangalôs da Villa com 130 m² e projetado para apenas um casal assim como os demais. Mini-piscina e banheira de hidromassagem com vista para o mar, sauna, TV LCD, DVD e lareira são algumas das amenidades na habitação. Já a infra-estrutura do resort oferece praia e ilha particular e um lounge fantástico a céu aberto, além de um restaurante com alta gastronomia.

Existem outros vários hotéis-paraísos em terras brasileiras e muitos outros virão. Estar em um deles é um privilégio para poucos. Torço para que você leitor possa conhecer algum deles na sua próxima viagem. Se você estiver programando uma viagem para a região Sul, com certeza a estada no Ponta dos Ganchos vai ficar na sua memória. Quando estiver dentro da piscina olhando o mar e tomando champagne, lembre-se de me mandar uma energia! Boa e feliz semana!

Tudo parece certo, mas…

Às vezes fazemos tudo certo, planejamos todas as ações meticulosamente e parece que tudo caminha para a vitória. Mas, aí faltando poucos metros para o final da etapa, algo sai errado. O lugar no pódium estava garantido, a vantagem no campeonato certa e aí, tudo fica na estaca zero. Temos que recomeçar tudo. Foi exatamente isso que aconteceu hoje na corrida da Hungria da Fórmula 1. O Massa fez tudo direitinho. Largou em terceiro e na primeira curva já estava na frente, deixando o Hamilton pra trás. Nas 67 voltas, ele foi perfeito e faltando três para acabar a corrida, o motor quebra. 

Como podemos comparar essa experiência esportiva com a de nossas vidas profissionais? Não desistir nunca? Planejar com eficácia e ainda contar com a sorte? Se conformar e dizer que os acontecimentos fazem parte do destino?

A vida profissional é uma eterna luta para nos mantermos em uma colocação que pensamos merecer estar. E quanto mais perto do pódium imaginário chegamos, melhor queremos fazer. Os índices, também imaginários, de nossa perfeição são a cenoura que mantém-nos na corrida. O que importa mais? A busca da perfeição infinita ou dos momentos de relaxamento mental de uma ação ou etapa realizada?

Cada um de nós terá uma resposta diferente. Alguns buscam a realização profissional porque amam o que fazem, outros colocam a parte financeira na ponta e se realizam com altos salários ou por estarem dirigindo um automóvel zero quilômetro. Alguns preferem trabalhar dentro da sua ética e ficam satisfeitos com isso. Cada ser humano tem a sua própria filosofia de vida e o seu tempo certo. Respeito pela felicidade de cada um. Isso devemos ter sempre. Assim a vida fica mais fácil de se levar. Boa semana para vocês! Com muita saúde e realizações!