Arquivo de Setembro, 2008

Cariocas x Paulistanos

Maria Heloísa Medeiros, de 42 anos, carioca da gema e moradora do Alto Leblon, trabalha no centro do Rio, em frente ao Teatro Municipal. Para chegar lá, são três as opções de Helô: dirigir seu carro; ir de carona com um amigo ou descer a pé ou de bicicleta até a Ataulfo de Paiva, pegar um ônibus e depois o metrô. Qual a escolha que ela faz? A terceira. “Prefiro me exercitar, ver pessoas e não me estressar no trânsito, além de economizar combustível e colaborar para a diminuição do aquecimento global. No caminho, posso ler um livro ou conversar com outro cidadão”, explica Helô.

A cerca de 400 km dali, em São Paulo, Carolina Silva Melo, 40, mora na Granja Julieta, na zona Sul. Ela trabalha na Lapa, quase a mesma distância que a Helô do seu local de trabalho. As opções de locomoção da paulistana são quase iguais: pode ir de carro; pedalar 2 km até a estação de trem, fazer baldeação em Osasco e descer na Lapa, ou tomar um ônibus. A decisão dela é ir de carro. Enfrentar a Marginal Pinheiros terrivelmente congestionada com o ar condicionado do seu veículo ligado, pois a poluição gerada pelos caminhões não permite deixar o vidro aberto. “Não gosto de ir de trem ou ônibus. Estão sempre lotados e alguns corredores não andam. Prefiro manter o meu conforto”, diz Carol.

No final de semana, a variação das duas brasileiras também é notória. Enquanto que a Helô desce para curtir a praia do Leblon, onde almoça e depois segue direto para o butequim da esquina onde encontra seus amigos, e, no domingo, fica em casa e pela tarde sai para um passeio ou um cineminha. Já, a Carol, no sábado de manhã vai ao cabelereiro. Depois, almoça no shopping com as amigas, faz uma comprinha e dependendo do ânimo, ou do filme em cartaz, pipoqueia na sala escura. Aos domingos, curte um almoço familiar e a noite sai com amigos.

Moral da história? Alguma das duas personagens está errada? Com qual delas você se identifica? Aspectos culturais influenciam os seus modos de vida? Pense e se quiser comente.

Enquanto isso, em Cingapura, a escuderia-vermelinha-milionária-que-não-tem-mais-o-que-inventar melou (de novo) a corrida do Massa. A ferrari (com “f” minúsculo mesmo) mostrou ao mundo que tecnologia demais não serve pra nada. Sua traquitana para avisar o piloto que pode sair do box naufragou a esperança do brasileiro ultrapassar o Hamilton no campeonato. O antigo “pirulito” abolido voltou na mesma corrida quando Kimi, o finlandês, pitstopeou. A estréia do circuito noturno foi reprovada pela maioria dos pilotos. A razão da queixa alheia são as ondulações da pista que chegaram a machucar alguns pilotos. Too bad Mr. Ecclestone!! Fui com desejos de uma excelente semana para todos!

O descaso com os estudantes

Participamos da maior feira de suprimentos para a hotelaria da América Latina, a Nova Equipotel, evento que parte, em 2009, para a sua 47ª edição. Passaram pelo Anhembi, durante os quatro dias de exposição quase 50 mil pessoas - índice excelente para uma feira segmentada – que tentaram visitar cerca de 1300 estandes. Digo tentaram porque é impossível conhecer todas as novidades em oito horas, período que a feira está aberta. É preciso de pelo menos dois dias.

Conversei com alguns expositores, visitantes e estudantes que neste ano, segundo a organização da feira, chegaram ao número de cinco mil, índice 30% superior ao ano passado. Muitos deles reclamaram do descaso dos expositores, que por sua vez também reclamaram da visita dos futuros profissionais. “Eles vêm e pedem folhetos e informações, não adquirem nada e atrapalham os clientes”, disse um dos expositores. ”Nós queremos conhecer as novidades e a única maneira é colher o máximo possível de material para que possamos analisar depois com calma. Infelizmente muitos expositores nem nos atendem. Quando percebem que estamos chegando, disfarçadamente vão para o outro lado do estande. Quando pedimos informações eles nos desprezam”, me contou uma estudante.

Uma das sugestões é criar um dia apenas para a classe estudantil, mas acredito que nenhum expositor viria abrir seu estande. “Investimos muito para ter uma área aqui na Nova Equipotel e não podemos perder tempo. Temos que vender o máximo possível”, explica um dos vendedores. Outra idéia é uma parceria com as universidades no sentido que os estandes com uma metragem mínima tenham a obrigatoriedade em ter um estagiário para atender os estudantes. Ou ainda, ter visitas monitoradas para os universitários. Alguma solução precisa ser encontrada.

Enquanto isso, ontem no Paquistão, um atendado terrorista matou cerca de 50 hóspedes e feriu outros 200 no Marriott de Islamabad. Uma covardia, como qualquer ataque desse nível. Um verdadeiro ato contra a paz que é a característica principal do Turismo mundial. Fui, com tristeza, mas com esperança que um dia a humanidade irá entender que o verdadeiro petróleo é o amor e a fraternidade. Boa semana!

Companhia Errônea do Trânsito

C.E.T está mais para Companhia Errônea do Trânsito e não Companhia de Engenharia de Tráfego como intitula-se. De engenharia não tem nada. Semáforos desincronizados e em quantidade exagerada – existem avenidas que tem um em cada esquina. Marronzinhos escondidos, multando ao invés de orientar. Corredores de ônibus, que deveriam permitir aos cidadãos chegar rapidamente aos seus destinos, congestionados e com filas quilométricas. Avenidas largas suficientemente sem faixas especiais para motoboys. Não há estudos nem pesquisas. A companhia é uma fábrica de multas e os milionários recursos obtidos por meio das infrações seguem para a federação e não voltam ao CET. E o IPVA? Para que serve? E os 48% de impostos recolhidos quando compramos um carro zero? Vão pra onde?

Enquanto isso, o governo estuda a possibilidade em esticar o prazo do financiamento de carros para 120 meses… Milhões de veículos novos circulando pelas cidades e uma única pergunta: até quando iremos suportar isso? Fui.

Ensinar para crescer

Existem muitos executivos que ensinam verdadeiramente os profissionais que estão sob sua coordenação. Não conduzem apenas o trabalho, mas mostram qual é a verdadeira ciência, linha de pensamento e alguns segredos para o sucesso. Já, do outro lado de uma possível mesa diretiva, um outro tipo de executivo centraliza tudo sob seu comando. Não expande seus pensamentos, suas ações e trabalha praticamente sozinho, mesmo que esteja situado nas três primeiras filas do organograma da empresa em que trabalha e tenha abaixo de si um número x de colaboradores.

Nas gestões em que participei sempre procurei conduzir o trabalho numa administração sem pirâmide, e preferencialmente horizontal e no máximo na forma egípcia invertida, ou seja, colocando na mesma linha ou no topo os colaboradores das áreas diretamente ligadas ao cliente. E mais ainda, fazer com que o negócio não dependesse da minha presença. Sempre tive meus braços direitos e esquerdos por dentro do negócio e com autonomia nas tomadas de decisões. E essas ações não impediam de que eu estivesse por fora dos procedimentos ou que não soubesse o que estava acontecendo, ao contrário todos, incluindo o cômite executivo estavam sempre por dentro de tudo.

Acredito na filosofia em ter sempre um backup pensante. Esse procedimento nos permite ter mais chance no crescimento profissional. Fica mais fácil para a presidência e diretoria tomarem a decisão na promoção do executivo. Enquanto que o gerente centralizador e não compartilhador faz todo o ciclo de produção depender dele e, mesmo que seja promovido ou em uma hipótese pior, tenha que se afastar por qualquer motivo, a tal linha de produção poderá ser prejudicada, ou seja, sair da padronização.

Os executivos que não ensinam geralmente são inseguros e têm medo de serem ultrapassados na curva. O segredo de tudo é ensinar e não ficar parado, aprender mais e estar sempre um passo à frente dos outros. Alguns acham que fazer um MBA ou uma pós é o ideal e outros tiram períodos sabáticos para viajar e se aprimorar em outras praias. Todas as formas são válidas pois o mais importante é estar aprendendo constantemente. Fui com desejos de uma boa semana para todos!