Em diversos bate-papos pelo mundo da hotelaria, muitas pessoas têm comparado o município paulista de Campos do Jordão com Gramado, no Rio Grande do Sul. Para aqueles que já estiveram nas duas cidades, a comparação é inevitável: por que Campos do Jordão não decola como Gramado?
Uns afirmam que Gramado é mais bonita, o que de certa forma é verdade, pois o centro comercial desta é maior e mais centralizado, um verdadeiro shopping a céu aberto. Todas as ruas, não apenas o bairro de Capivari em Campos, são muito charmosas. Outros dizem que Campos é privilegiada por estar próxima a capital do estado e de outras cidades do interior e merece estar melhor ranqueada. Quando entramos em Campos do Jordão, o acesso é pelo lado mais feinho, sem graça. Depois, lá na frente, chegando em Capivari o aspecto muda de figura e a lembrança de Gramado vem em nossa mente.
O fator mais importante do município gaúcho é que lá a população, os hoteleiros, empresários e comerciantes, não necessariamente nessa ordem, chegaram a conclusão que o turismo é a melhor fonte de renda para a cidade. Com isso, todos se uniram e começaram a trabalhar em prol do destino e não apenas do umbigo de cada um.
Já em Campos, o objetivo é diferente, mas infelizmente muito comum: cada um por si e nenhum por todos. A prefeitura parece não conseguir convencer os moradores locais e apenas o Festival é que lota a cidade a partir de junho até o começo de agosto. No resto do ano, com exceção do Natal, Réveillon e dos finais de semana, o destino não vê a cara dos turistas.
Como mencionei algumas linhas acima, as pessoas se preocupam apenas com elas mesmos. São poucas as que pensam no macro, preferindo permanecer apenas no micromundo. É preciso sempre levar em conta quem é o maior beneficiado e tentar participar do bolo e não desejar tudo para um só. Se a comunidade de Campos resolver se unir, todos irão ganhar.
Tem uma fórmula que é bem simples: (união + visão) – ganância = desenvolvimento.
Enquanto isso, em São Paulo, a maioria dos vereadores municipais votaram contra a portaria baixada pelo prefeito que possibilta a regulamentação de quase 120 flats, que representa quase a metade da hospedagem paulista. Se a portaria não for confirmada, a cidade vai perder muito, mas muito mesmo. A preferência dos 34 vereadores põe em risco a continuidade de operação dos empreendimentos, gerando desemprego e impossibilitando a cidade em continuar sendo o destino número um da América Latina na realização de grandes eventos como a Fórmula 1. Por que será que esses políticos votaram contra? O que eles ganham com isso e o que eles sabem de turismo? Fui com votos de muita saúde, consciência e bom senso!
Adorei o artigo, trabalhei e morei em Campos do Jordão mais de 5 anos, e realmente a ganância e a individualidade das pessoas atrapalha o crescimento e desenvolvimento do destino. Quem sabe com artigos assim, ajude algumas pessoas a pensarem e fazer diferente! Parabéns!
É bem por aí !
Não conheço Campos, mas conheço bem Gramado, Canela e São Francisco.
O Destino foi muito bem trabalhado. A própria estrada que leva até lá é batizada de “Rota Romântica” e colabora com o comércio e desenvolvimento das pequenas cidades no caminho da serra gaúcha.
O segredo é fácil: “Explorar o Turismo SIM, explorar o Turista NÃO!”
Abraços,
Rodrigo Llantada
Porto Alegre/RS
Bom artigo Peter!
Tive a oportunidade de trabalhar na produção do Festival Internacional de Campos do Jordão 2008, e nas horas vagas, o que era bem raro, procurei conhecer e interagir com a comunidade local. Fiquei espantada como os dados que me foram apresentados,60% da população vive abaixo do nível da pobreza. Confesso que depois que constatei esse cenário, o “glamour” do Festival perdeu o encanto – os comerciantes e também a hotelaria passam o ano todo esperando o mês de julho e começo de agosto para ganhar dinheiro e explorar os turistas, e pior – a população mais uma vez sofre porque os preços aumentam absurdamente, chegando ao ponto da população fazer estoque de alimentos para evitar comprar nessa época do ano.
Em Gramado é diferente, outro visão e como falado acima o segredo é se beneficiar do turismo de uma forma sustentável e não explorar o turista de uma forma predatória.
Abraços
Elaine Mazzaro
Concordo com o tema acima, mas o que a Elaine disse não tem nada a ver. Moro na cidade de Campos do Jordão e nunca vi nem ouvi falar de que a população precisa estocar alimentos na época de temporada.. Francamente ela ficou muito pouco tempo aqui mesmo… Campos é uma cidade como outra qualquer que tem seus pontos altos e baixos.. Tem o centro turístico, lógico, que é voltado para o turista mesmo.. Mas tem opção para todo tipo de turista, desde os mais requintados até os mais simples!
Bj!
Eu fiquei seis meses em Campos do Jordão, quando cheguei em maio a cidade já estava cheia por causa
do feriado de Corpus Christi, fiquei até outubro na cidade, sendo que até o dia que fiquei lá a cidade não
estava vazia, até mesmo por causa dos eventos realizados no Convention Center do João Doria Junior e alguns
no Grande Hotel Senac. Bom, sem dúvida para o estado de São Paulo, Campos do Jordão é a melhor opção,
as duas cidades são lindas sem dúvida.
Não vou fazer uma comparação com Gramado, pois não é meu objetivo, mas o que devemos focar é no turismo
brasileiro já que em Campos do Jordão sempre tem uns turistas de outros paises e com outros paises se for para
comparar com Paris, Londres, etc com cidades do Brasil, o Brasil perde feio..
Olá Murilo! Grato pelo comentário!
Meu objetivo sim é fazer uma comparação com o intuito do aprimoramento do destino Campos do Jordão. Meus textos podem parecer excessivamente críticos, porém o objetivo é a melhoria do turismo, apenas isso.
Acredito no potencial do município paulista (e de todo o Brasil) e quero poder ver o crescimento ainda nesta vida.
Um grande abraço e um feliz 2009!
Great article Peter! I’m very pleased to see someone making a comparison.
I was very very impressed with Gramado. I think the attitude there definitely feels more collaborative – you can find many residences which are not direct money-making ventures, but are still decorated to participate in the atmosphere of the Christmas festivities.. whereas Campos has some “nice parts” but not a feeling that everyone shares the interest in making something special. It is just focussed on the commercial side.
The effort involved in making something beautiful is not dependent on wealth or regular income – look at great graffiti in SP which makes no money, but shows a desire to make something beautiful. Also, when the World Cup is on, many poorer areas have better decoration than rich neighbourhoods!
I think it is much more a question of pride and citizenship. I felt Campos, like SP capital, has a lot less civic pride than you find in Rio or POA.
If the city doesn’t provide clear direction signs within the area, if people are not helpful when you ask questions and if local residents are throwing coca-cola cans from their car windows into the street then Campos will never be like Gramado.
Of course some places in Campos do make an effort – but although it initially seems beautiful you can easily find buildings with just a fake “Gramado-style front” and something very ugly hidden behind it. I think the same can be said for attitude of staff in restaurants & hotels which felt more sincere and welcoming in Gramado.
It is not my place to recommend that people in Campos behave differently – the city is already full with tourists at this moment! But maybe it can become a place to enjoy and get a good welcome at any time of year and right now visitors describe the quieter seasons there as “boring” since the effort isn’t maintained.
Hi Andrew! Thank you very much for adding more information to my article. Your comments are all right! I wish that the citizens from Campos could change their behavior and not only from that city but from 80% of Brazil’s cities. We can be one the most touristics countries of this planet! Happy 2009!
Olá Peter ,
De boa entendo.
feliz ano novo para você tambem
Abraço
Valeu Murilo! Grande abraço
Peter – well it’s a great blog
Since you are in the hotel world it’s worth mentioning that Gramado festivals seem closely integrated with the local hotels – for instance they all have the official info provided to them (not just expected to discover for themselves) and it seems the Peccin family (Luciano & sons Felipe & Rafael) who own the famous Casa da Montanha hotels are the driving force behind Natal Luz and I believe a lot of tourism progress in the city (although I appreciate there may be other names too!). They are certainly names the locals mention when I asked “quem teve a idéia de criar algo tão elaborado?”
I guess Campos could benefit from their experience but they may well be more protectionist than open about how to create such events in another place!
Thanks Andrew!
Your absolutely right about the hotels commitment in creating new actions or events to improve the demand in tourism. About Campos, that’s what the hoteliers should do. Get united and create, along the district and governamental secretaries, new options. Why the Aviesp fair insn’t held over there, for example? Best regards!