Arquivo de Abril, 2009

A hora da Revolução é agora, mexa-se!

Estou em mais um quarto de hotel, mas desta vez em uma nova cidade. Acabei de assistir o filme Zeitgeist indicado por minha filha, que enviou por e-mail o link da página de vídeos do Google, um click e pronto, duas horas de entretenimento!  A internet é fantástica! No more DVDs, just the web!

É impressionante ver tudo que eu venho pensando e analisando ao longo desses anos estar condensado neste documentário. As opiniões e intuições que compartilhei com os amigos e muitas das quais me fizerem ser rotulado de “louco”. Estou com uma sensação muito boa! Eu estava certo! Tem gente que tem as mesmas opiniões!

Lembro como se fosse ontem. Dia 11 de setembro de 2001, eu estava em plena implantação do ex-Meliá Confort Moema, hoje Quality Moema. Pela manhã, a notícia foi o destaque da rádio peão:
- Chefe, você viu o que aconteceu em Nova York? Atacaram as torres!, me disse assustado um colaborador.
Não dei muita bola e continuei a trabalhar. Na hora do almoço, fui a um flat vizinho e entre as mordidas no sanduíche e olhares à TV, vi imagens ao vivo do que havia acontecido. A cada minuto a cena  da colisão dos aviões era repetida.

Achei aquilo tudo muito estranho. Não me pareceu algo “natural”.

Ao longo da tarde mais informações íam chegando e depois a noite, durante o intervalo na faculdade, soltei ao professor de Filosofia:
- É tudo mentira! Não houve nenhum sequestro. A ação foi interna.
O mestre olhou pra mim desconfiado e seu olhar me disse o que pensava, o cara tá louco. Expliquei minhas razões e no final da conversa ele coçava a barba. Tudo bem, eu disse, não precisa aceitar, mas daqui há alguns meses você verá o motivo. Dito e feito, a guerra do Afganistão havia começado e em seguida a do Iraque.

Tive um tio-avô que dizia: o mundo é controlado por algumas famílias, tudo gira em torno do dinheiro, poder e manipulação das pessoas.

Mas, felizmente não é apenas esse aspecto do filme que concide com as minhas opiniões. Sim, o filme tem um final feliz, depende de nós e como somos seres inteligentes, podemos fazer a escolha certa e ela é muito simples e fácil. Basta amar! Um amor incondicional sem receita, escolha, julgamento e discriminação. Ative o chakra do seu coração e siga em frente, revolucione o modus operandi da sua vida. Um abraço e votos de boa semana! Fui!

Urbanistas + visionários = mais turistas

Necessariamente a prospecção do turismo não está ligada a ações específicas do setor, que na opinião de vários especialistas é o melhor negócio do mundo, mas em trabalhos realizados por pessoas visionárias e até por urbanistas.

Vejamos o caso de Curitiba por exemplo. O arquiteto e urbanista Jaime Lerner, que administrou a cidade três vezes e também foi governador do Paraná, fez grandes obras e colocou o destino no mapa. Na suas três gestões deu ênfase ao transporte criando um modelo que recebeu notoriedade internacional, construiu parques, fechou ruas no centro, investiu no centro histórico e, principalmente trabalhou no Plano Diretor da cidade que estava no papel desde 1965. É isso que o governo brasileiro precisa fazer com o turismo, criar um plano e por na mão de técnicos que entendam do assunto.

Escrevo este texto do meu quarto de hotel, na capital paranaense, do 19º andar olhando para as luzes que brilham após um dia visitando alguns pontos turísticos como a Ópera de Arame e Jardim Botânico e olha que existem muitos atrativos turísticos por aqui. A gastronomia é vibrante, os centros comerciais são muitos, assim como a vida cultural, com casas de shows, teatros, museus e afins. Foi fascinante estar na Ópera de Arame e ver dezenas de turistas com sorrisos para todos entre a natureza exuberante. Os ônibus especiais de turismo, aqueles de dois andares e ainda por cima conversíveis, lotados de visitantes.

Enquanto isso, em Angola, o ministro brasileiro do nosso turismo amplia a linha de crédito – são quase US$ 2 bi – para o país africano ampliar o parque hoteleiro, realizar a qualificação profissional e criar um plano nacional de turismo baseado no que foi feito por aqui. Tudo isso depois do governo cortar 86% do orçamento do MTur. É pra ficar indignado ou não? Q$vpobdq? Fui, com votos de um bom feriado e boa semana!

Executivos de vendas, arrumadeiras e a manutenção preventiva

Quem não se comunica se trumbica, dizia o saudoso Chacrinha, o Velho Guerreiro ou simplesmente José Abelardo Barbosa de Medeiros, nascido em 1917 e transferido para o “segundo andar” em 1988. Comunicação é tudo na vida, seja na amizade, no amor e principalmente no trabalho.

Nas minhas inúmeras e sempre enriquecedoras conversas com os gerentes gerais o tema da manutenção preventiva às vezes é abordado. Não é a maioria deles que entra no tema, geralmente dou um empurrão e, infelizmente, não é sempre que o GG realmente sabe que o termo é tão importante quanto budget, diária média, revpar, revenue management…

A hotelaria vive, desde o final do século passado, momentos de disputa feroz e acirrada. Conseguir colocar hóspedes nas UHs se transformou em uma arte que precisa da renovação de scripts constantemente.

Os executivos de vendas ou gerentes de contas são pressionados pelos gerentes ou supervisores que por sua vez são cobrados pelos diretores, estes vivem dependentes das decisões lexotanianas dos executivos que precisam dar explicações aos investidores ou para o conselho da corporação, seja uma rede ou um hotel de médio porte para cima. Os meios de hospedagem menores atuam de forma singular e fazem parte de um outro mecanismo comercial.

Muito bem, o departamento de vendas consegue o hóspede. Diz que a localização do hotel é a melhor, assim como a cama, o atendimento, chuveiro, a feijoada, tudo do bom e melhor, por isso que a tarifa é um pouco mais alta que a do concorrente, além disso tem a…

Aí chega o cliente sentindo-se o rei por ter escolhido aquele meio de hospedagem. Capitão porteiro, mensageiro, recepcionista, gerente de recepção, gerente geral, todos são só sorrisos e salamaleques. Ele entra no apartamento, as malas já estão lá.
- Uau! Não precisei dar gorjeta pro menino, puxa que quarto, legal! Deixa eu ver a vista, olha que parque lindo! Ops, esse voil tá rasgado, vai ver que a arrumadeira não viu…

Numa suíte do mesmo hotel, a hóspede está sentada confortavelmente na cadeira de sua workstation trabalhando em seu notebook, o celular toca e é o namorado, começam a conversa, ela desvia o olhar da tela de sua ferramenta de trabalho e percebe alguns riscos negros na parede branca perto do abajur. Ela chega mais perto sem deixar de prestar atenção nas palavras de seu suposto amado e esfrega com seu dedo a mancha que começa a sair. Será que a arrumadeira não percebeu essa sujeira?

Dez andares abaixo num quarto standard, o casal de clientes dá uns amassos na cama, acabam escorregando para o chão, a primeira coisa que um deles vê são três tomadas na parede ao lado da mesa da cabeçeira, todos os espelhos estão soltos e um deles só não está no chão porque o fio não deixa. Qual será a pergunta que seu cérebro faz?

Finalmente, em outra UH a bela mulher tira toda sua roupa e se dirige para o chuveiro, desliza para dentro do box e ao girar o registro nem percebe que a canopla está solta.

No check out, todos os hóspedes, menos a garota do banho, preenchem o guest comment. As reclamações, que se concentram ao departamento de manutenção do hotel, chegam no dia seguinte ao novo gerente geral que durante a reunião matinal do cômite executivo aborda o assunto:
 - Senhores, estamos com problemas sérios de comunicação neste hotel e isso está causando a má impressão em nossos hóspedes. Depois de ler os comentários preenchidos pelos clientes ele continua:
- Na opinião de vocês, qual é o departamento responsável nessas questões?
Ao mesmo tempo, dois executivos respondem:
- A manutenção! Diz a governanta
- A governança! Afirma o gerente de manutenção (GM)
- Vocês dois estão certos! Atesta o GG que pergunta:
- E qual departamento tem o dever em informar ao outro e dependendo do problema, bloquear o apartamento até o assunto ser solucionado?
- A governança! Exclamam todos
Como um líder nato, o GG levanta e esclarece:
- As arrumadeiras são as responsáveis em deixar o apartamento pronto para que a supervisora o libere no sistema, certo? Então por que estamos com problemas? Primeira opção: a arrumadeira ou a supervisora ao executarem suas tarefas podem estar com a cabeça em outro lugar e não repararem no problema;
segundo: o apartamento pode estar sendo liberado sem que a supervisora ou a governanta vejam a habitação;
terceiro: elas até podem ver os problemas mas não tem tempo para informar a manutenção;
quarto: elas informam a manunteção, mas não bloqueiam a UH;
quinto: a manutenção não está dando conta dos problemas;
sexto: a governança acha uma coisa e a manutenção acha outra.
Como vamos resolver a questão?
- Temos que conversar e chegar numa solucão, diz a governanta.
- Concordo! fala o GM
O GG se dirige ao subgerente e pede para que ele assuma a reunião e olhando para a governanta e ao GM diz:
- Vamos para a minha sala resolver isso agora! Quero a participação de seus assistentes, podem chamá-los imediatamente por favor?
Enquanto os rádios são acionados, o comandante da nave hoteleira caminha para sua sala com a solução pronta na sua cabeça. Vai administrar os egos de cada um e de alguma forma mesclar os dois departamentos. Os dois assistentes farão um estágio em cada área e terão as responsabilidades divididas. Poderá promover alguém para a supervisão e contratar uma arrumadeira, o que será menos custoso. Mas, antes, quer ouvir a opinião dos envolvidos que chegam à sua sala. Cumprimenta os assistentes com um sorriso e diz:
- Muito bem! A partir de hoje temos um novo departamento, a Manutenança, todos de acordo?
As risadas são gerais e o clima está formado para encontrarem a solução! O elo da comunicação está formado! Vai para o trono ou não vai?
Feliz Páscoa para todos e uma excelente semana! Fui!

Éticas descompassadas e uniformes descosturados

Lembro das aulas de filosofia na universidade, eram muito boas e realmente punham nossa mente para trabalhar a fundo. Nada parecido com os problemas matemáticos que apenas afiavam o poder de raciocínio. Já as questões filosóficas nos faziam retroceder aos primórdios da humanidade para avaliar paradigmas e outros paradoxos.

Discutíamos muito sobre a ética. O professor perguntava: o que ética representa para vocês? Alguns, inclusive eu, respondíamos que a ética faz parte da consciência que nos guia para tomar uma atitude em relação a algum assunto ou pessoa. Essa atitude é sempre baseada no aspecto positivo e todas as ações exemplificadas devem ser “boas”, ou seja, ética é algo atrelado “a ser bom”. Nosso querido mestre discordava: depende da ótica de cada um, o que para alguns é bom, para outros pode não ser, para o assassino, por exemplo, a ética em matar alguém é normal, enquanto que para você não é. Eu nunca concordei com esse argumento. Até posso entender o mecanismo do pensamento, mas não sou obrigado a aceitar essa condição

Sempre acreditei que ter ética é saber distinguir o bem do mal, saber o que é certo e errado, me desculpem, mas se alguém não tem noção dessa relação, deve mudar de atitude ou mudar de planeta. Outro dia, um dos amigos de nossa roda trouxe à tona o assunto das crianças índigo. São seres que estão nascendo aqui no nosso planetinha e que já chegam com uma base sólida de discernimento entre o bem ou mal. Possuem energia que nos deixam tontos e são os nascidos há cerca de dez anos para cá, tenho uma delas lá em casa com seis anos e conheço mais uma dúzia de casais que tem filhos com comportamento similar: conversam sobre tudo, entendem e subentendem coisas que na nossa época de carrinhos e bonecas nos fariam estar babando no babador. Ainda bem que elas estão aí, temos a certeza que tempos melhores virão. Antes da Copa de 2014, entraremos numa nova fase de vida, onde saberemos dar o valor correto à amizade, ao amor e dinheiro.

Enquanto isso, milhares de profissionais da hotelaria são obrigados a trabalhar em uniformes feios, gastos, mal alinhados e desatualizados. Há exceções e algumas redes têm aprimorado as vestimentas de seus colaboradores.

Outro dia, eu aguardava uma amiga num cinco estrelas situado na costa do sudeste brasileiro. Fiquei reparando no blazerzinho que um dos recepas estava vestindo. Terrível e sem classe. Tempos atrás, durante um sábado calorento num final de semana bem disfrutado em um resort interiorano, o chefe da recepção chega junto da minha mesa a beira da piscina, de calça social e sapatos pretos, camisa de manga curta e gravata! Dei risada e falei para ele tirá-la! Ah, não posso, a direção do hotel exige que as chefias estejam uniformizadas. Fiquei pensando se uma camiseta pólo, uma calça de sarja e um sapatênis não o deixariam mais ambientado ao estilo do meio de hospedagem. E nos hotéis de praia? Garçons que atendem as centenas de restaurantes à beiramar (saiu o hífen?) vestidos como pinguins, suando em bicas sobre as fritas servidas…. Como diz o Schapô: terrível, isto é terrível! Fui com votos de uma boa semana!